Folha do Canadá

Tuesday, June 30, 2009

O plano

A ordem é se preparar para o mercado de trabalho em Toronto. A idéia não é atingir o objetivo final assim que chegarmos por lá, mas conseguir um emprego que pague por volta de 40k/ano para que eu possa sossegar um pouco. Pensar no que eu realmente quero, me preparar para um MBA e, claro, ter o tão esperado filho. De onde eu tirei esse valor de 40k/ano? Bom, esse é mais ou menos o teto para o qual o governo paga a licença maternidade (lembrando que o valor pago é apenas 55% disso). Então, não adianta ter um super salário se na hora de tirar a licença sua renda vai ter uma queda enorme (a não ser que, além de ter um super emprego, você trabalhe numa super empresa que tenha um super plano de “top up”).

Ok, e qual a forma mais rápida de entrar no mercado de trabalho com um salário razoável? Procurar um emprego numa área que você conheça e tenha experiência. Minha experiência é como secretária mexendo com processos judiciais, no Brasil. Não é exatamente uma profissão boa para quem pretende imigrar, mas nada que um pouco de determinação não resolva.

Lá no Canadá, isso que eu faço pode ser chamado de “Legal Secretary” ou “Law Clerk”. São atividades que não exigem registro ou licença de qualquer instituição. No entanto, existe o ILCO (Instituto de Law Clerk de Ontário), que oferece provas para quem quiser ser Law Clerk “oficialmente”. E prova é comigo mesma. Não que eu goste de prova, mas gosto de meios objetivos que comprovem sua competência, pelo menos para fins de emprego. (Não confundam as coisas… não estou dizendo que quem vai mal em provas é incompetente, longe disso. Mas quando as provas existem é um meio teoricamente indiscutível de dizer que você está apto para aquela atividade.) Não é preciso comprovar nada para fazer essas provas do ILCO (são quatro), ou seja, basta estudar.

É para isso que vou fazer o curso online de “Civil Litigation”, cujo material é preparado pelo próprio ILCO e oferecido por diversos colleges na província. Das quatro áreas, essa é a mais complexa e, consequentemente, mais importante. A prova será em março e talvez seja a data que determinará nossa volta às terras canadenses. Ainda não defini através de qual college vou fazer o curso, pois apenas um abriu as inscrições. Os outros sequer liberaram os calendários, então, estou na espera.

Esse curso me apresentará ao mundo jurídico canadense e vai me preparar para a prova. A tal entrevista de emprego que fiz foi para uma vaga de Law Clerk, ou seja, o meu currículo atrai esse tipo de oferta. Passando na prova, imagino que estarei dando um enorme passo à frente no que diz respeito à minha empregabilidade. Só que ainda tem um porém. Na entrevista, o advogado ficou preocupado com a minha redação em inglês. Não bastou eu dizer que meu currículo (que ele já tinha elogiado) tinha sido escrito por mim, pois ele ficou desconfiado dessa informação depois que ficou sabendo que eu estava fazendo um workshop no Skills for Change.

Solução? Um certificado que demonstre minha habilidade para escrever documentos em inglês, já que é o que farei trabalhando como Law Clerk. Na minha opinião, nesse caso, não serve qualquer curso que te dê um certificado, tem que ser algo reconhecido, sólido, que acabe com essa questão. Pesquisei e encontrei um curso de “Escrita para Negócios” oferecido pela Universidade de Toronto, também com a opção de ser feito online. Ele é todo feito através da internet, mas a prova final é presencial. Então eu devo fazer o que começa em novembro, cuja prova será aplicada em maio. Eu posso estar enganada, mas acredito que se eu tiver boas notas nesse curso não precisarei enfrentar a suspeita de que meu inglês não é suficiente para esse tipo de trabalho.

Com isso, eu espero ter menos dificuldade para encontrar um emprego fazendo o mesmo que eu fazia aqui no Brasil. Se eu tiver sucesso, terei o salário que pretendo e descobrirei, na prática, como funciona o sistema legal canadense. Quem sabe eu não resolvo prosseguir no Direito, né? Ironicamente, apesar disso significar mais uns 6 anos de estudo pela frente, seria o caminho mais fácil a seguir.

Eu não acredito que isso vá acontecer. É por isso que esse plano não acaba aqui. No próximo post, a continuação do plano que será executado ao mesmo tempo que esse. Dessa vez, para eu tentar encontrar algo que eu realmente goste de fazer profissionalmente.

Antes que chovam comentários com a pergunta, só está sendo viável fazer esses cursos online porque, como já sou residente permanente, eu pago tarifa doméstica. De outra forma, eu teria que pagar os valores para estudantes internacionais, que são consideravelmente mais caros.

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Escrito por K, às 17:48.

Thursday, June 25, 2009

A volta dos que não foram

I know, I know… let’s skip this part.

Nós fomos pensando que ficaríamos, voltamos, fomos de novo e cá estamos de volta à “Cidade Maravilhosa”, morrendo de saudade daquela cidade maravilhosa. Ok, Toronto não é geograficamente tão linda quanto o Rio e, pra confessar, nem foi minha primeira opção de destino canadense. Mas Toronto é Canadá e Canadá é tudo de bom.

Não dá pra dizer que é um lugar perfeito, porque nenhum seria. Os trens do metrô e os ônibus estão constantemente sujos, eu mesma catei muito jornal que estava espalhado pelo chão para jogar no lixo. Na calçada por onde eu passava para ir pro ponto de ônibus tinha um desnível onde tropecei várias vezes e minhas amigas do curso me explicaram que era responsbailidade da Prefeitura e que nem adiantava reclamar. Ou seja, problemas.

Mas eu podia andar com o meu super celular na mão, enviando e-mails, consultando o mapa. Podia usar meu notebook no ônibus. Ia na última sessão do cinema na cidade vizinha (Mississauga) e voltava sozinha, de ônibus. Comprava um produto que não funcionava como prometido e devolvia, no questions asked. Tinha cinemas, shoppings, grandes bibliotecas, parques, tudo à minha disposição e não precisava morar no meio de arranha-céus, carros apressados e população de rua para ter acesso aquilo tudo. Isso tudo existe lá também, mas no centro da cidade apenas e, em poucos minutos, é como se você estivesse na sua casa de campo.

Enfim, agora estamos de volta à nossa realidade, que é o Rio de Janeiro por mais alguns meses. A empregada foi dispensada, alguns utensílios foram trazidos do Canadá para ajudar nas arrumações e eu agora sou dona de da casa. Minha meta no próximo mês é tentar dar conta da bagunça, deixar tudo em ordem, para, então, poder me dedicar a outros projetos.

Do que estou falando? Bom, agora que tenho o status de residente permanente, posso me matricular em cursos e pagar a taxa “doméstica”. Depois de fazer minhas pesquisas, tracei um plano de ação para melhorar minha empregabilidade quando formos definitivamente para Toronto. E esse será meu trabalho pelos próximos meses.

Curiosos? Bom, eu conto o plano no próximo post, assim eu me forço a voltar aqui e não deixo acumular poeira de novo.

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Escrito por K, às 15:14.

Monday, May 4, 2009

Morando num basement

Categorias: Meu diário

(escrito antes da volta)

Não é fácil. O lugar onde estou morando, na verdade, nem é um basement completo. O proprietário fez dois cômodos como se fossem conjugados. Nesses cômodos - num deles é onde eu moro - tem uma mini cozinha com fogão, geladeira, pia e armário e um banheiro. Então, na verdade, eu tenho tudo o que preciso sem precisar dividir com ninguém, mas é como se fosse um quarto de hotel, bem pequeno. A lavanderia, como costuma ser, é dividida com os donos da casa e com a menina que aluga o outro cômodo, nas mesmas condições que o meu.

From Canadá - Landing

Tem várias questões que envolvem morar no subsolo e que, na minha opinião, impedem que essa seja uma situação duradoura. A principal delas, eu diria, é o barulho. Você escuta todos os barulhos da casa, bem alto. Passos, mesmo de adultos, são ouvidos em detalhes. E se você der a sorte que eu dei de ir parar numa casa com crianças, a situação fica mais complicada. Os pentelhinhos brincam de correr, de jogar bola, de pular, tudo em cima da sua cabeça, fora os gritos e os choros. No verão, imagino que a situação fique melhor, pois eles têm o quintal para brincar, mas enquanto a temperatura lá fora não é convidativa, não tem jeito, isso tudo vai ser feito dentro de casa, em cima de você.

Outra questão desagradável é a iluminação. No nosso caso, até que temos duas janelas minimamente grandes, mas o problema é que as janelas, em si, não recebem muita luz, pois ficam na sombra da casa do lado, que, apesar de não ser grudada na nossa, é bem perto. Apesar de termos iluminação no teto, elas não são claras o suficiente. Semana passada, por exemplo, tive alguma alergia que deixou minha pele vermelha e tinha que verificar na rua se já tinha melhorado, pois lá dentro não dá pra ter muita noção por conta da falta de claridade.

Ainda tem a temperatura. Aparentemente, o basement (porão) fica 5º C graus abaixo da temperatura da casa. Ou seja, se o dono da casa está de camiseta com seus 23º C, você estará de pijama nos 18º C. Daí você pensa, “ah, mas 18º C não é tão ruim assim”. E eu te digo, não é tão ruim assim quando é na rua, dentro da sua casa, num basement, o tempo todo, é ruim, sim, muito. Até porque você está vindo de uma temperatura bem fria na rua e quer ficar em algum lugar quentinho, aconchegante, se livrar das roupas e ter um pouco de liberdade. A 18º C você não tem isso. Tudo fica gelado e a sensação de umidade aumenta. Nào é confortável. E, no meu caso, a temperatura que fica é 17º C. E o maior problema é que você não pode controlar isso. Então, por exemplo, tem dias que o dono da casa resolve desligar o aquecimento à noite e você não pode fazer nada, só colocar mais roupa e usar mais cobertor.

Depois de uma semana com uma tosse que não passava por conta de sentir frio o tempo, resolvi tomar uma atitude e, enfim, solucionei o problema da temperatura. Por 24 dólares comprei um pequeno aquecedor elétrico, bem levinho, na Canadian Tire. Nossa, foi minha salvação! Agora eu o ligo e desligo quando quero e, se for minha vontade, elevo a temperatura do meu quarto para até 28º C. Foi uma libertação. Agora, em casa, estou sempre na minha tempratura preferida, que é 24º C. Aliás, descobri que essa é a temperatura ideal para comer o Lindor, da Lindt. Ele não fica derretido, mas o recheio de dentro fica molinho. Delícia!

Outras questões de morar num basement inlcuem ter que dividir a lavanderia com o dono da casa, o que significa que ele pode fazer o que quiser no espaço das máquinas. Aqui, por exemplo, é um caos. Tem montes de roupas espalhados por todos os lados, as máquinas ficam meio sujas por cima, além de ter um varal no meio do cômodo. Sendo num prédio, por exemplo, existem regras que todos os moradores devem seguir, o que torna o compartilhamento mais viável. Sendo na casa dos outros, não tem jeito, você tem que aturar.

Mais coisas desgradáveis são, por exemplo, ter que sentir o cheiro da casa, que é espalhado pelos dutos de aquecimento. Aqui, por exemplo, tem sempre um cheiro estranho de comida ou sei-lá-o-quê. Essa situação eu contornei com um aromatizador de ambientes, o que tem funcionado. Mais uma é não ter  área de serviço, como um tanque, para poder guardar produtos de limpeza, vassoura, lavar panos, etc. Minha opção pra isso é usar o chuveiro. Ah, sim, e, normalmente, uma preocupação ao alugar um basement deve ser a altura do teto, que pode ser bem baixo. No nosso caso, no entanto, a altura é bastante razoável e não incomoda.

Uma curiosidade daqui é que o quadro de luz da casa fica dentro do meu armário. Isso é ruim porque, como aconteceu outro dia, eu estava no meio de uma crise de saudade quando tive que deixar o dono da casa entrar para religar um disjuntor que tinha desarmado. A vantagem é que numa outra situação eu usei o secador de cabelo enquanto o aquecedor ainda estava ligado e o disjuntor desarmou. Sendo lá dentro, eu mesma pude resolver a situação, sem ter que pedir ajuda ao proprietário.

Enfim, morar num basement não é o fim do mundo e não me arrependo de ter alugado o nosso pelos três meses. Fizemos essa opção por conta da economia que representou, já que pagamos apenas 600 dólares por mês, com todos os serviços incluídos (utilities, TV a cabo e internet, além da lavanderia). Outros lugares que vimos chegavam a 1000 dólares/mês, sem todas assas facilidades. Só pra lembrar, locação por períodos curtos costumam ser mais caras do que por períodos maiores. No entanto, a longo prazo, não moraria nessas condições. Tendo data pra acabar pode ser uma boa alternativa, como foi pra gente.

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Escrito por K, às 15:34.

Saturday, May 2, 2009

Reflexões aéreas

Categorias: Uncategorized

Pois é, estou voltando. Parece até que vim fugida, de tão rápido que foi. Na verdade, eu já estava semi-preparada para vir há algum tempo. Só que aí apareceu a entrevista. E aí muita coisa mudou.

Quando a entrevista apareceu, eu tinha acabado de me recuperar do último vírus canadense que peguei. No final de semana anterior, fiquei em casa dodói sem poder sair. Nesses momentos você só quer voltar pra sua vidinha, quando as coisas eram mais fáceis e você já sabia o que esperar, além de poder contar com ajuda de marido, mãe, pai,… Então eu estava com muita vontade de voltar, só que o PR Card ainda não tinha chegado. Foi aparecer a entrevista pros cartões chegarem.

Desde que me recuperei, o clima também deu uma melhorada - apesar de ter chovido bastante -, fazendo uns lindos dias ensolarados, ótimos para sair pela rua andando, sozinha ou acompanhada. Com a saúde boa, tudo fica mais fácil de suportar, inclusive a saudade. Apesar de não ter uma rotina estabelecida, as coisas já estavam entrando nos eixos e cada vez eu gostava mais da cidade.

E aí passou a semana que eu mesma tinha me dado de prazo para voltar. Supostamente, a semana em que eu deveria ter recebido uma resposta lá da firma. Não recebi, mas várias pessoas já me disseram que demora mesmo e que, normalmente, levam o dobro do tempo que eles dizem inicialmente para entrar em contato. Teoricamente, eu deveria esperar mais uma semana. Mas aí…

Aí eu meio que cansei de ficar deixando a vida na mão dos outros. Ora bolas, já aguardei o prazo que eles deram - enough is enough. Tem anos que espero, espero e, na verdade, ainda tenho mais um ano de espera pela frente, mas o que estiver nas minhas mãos decidir, vou tomar as rédeas da situação.

Só que eu estava me sentindo tão bem lá, de andar por aquelas ruas, de ver as tulipas - a cada dia apareciam mais -, de descobrir todas as coisas. Já nem sabia mais se queria ir ou ficar. A saudade do marido era enorme, mas já tinha me conformado com ela. Realmente não sabia o que me faria mais feliz, voltar ou não.

Falando em felicidade, dizem que o imigrante jamais será 100% feliz, pois deixou um passado inteiro para trás que, gostando ou não, faz parte da sua formação e é importante pra sua vida. Então não terá mais o acesso à família e aos amigos, sentirá saudade daquela comida, daquele lugar, daquelas saídas. Isso, claro, é compensado, mas não é substituído, pelo mundo novo que foi escolhido. Ao mesmo tempo, se o imigrante volta à origem, passará a ter saudade do que foi a sua vida no outro lugar, das relações que deixou por lá. Não tem mas jeito, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. É o preço que se paga.

E eu me perguntei quão feliz estava. Dava pra dizer que eu estava muito feliz. No entanto, tinha uma sensação estranha de que aquilo não me pertencia. (Calma, povo, não comecem as interpretações de que a K acha que não merece ser feliz, não.) Eu mereço ser feliz, sim, eu e todos nós merecemos. Acredito nisso. Só que a sensação era de que eu estava vivendo a vida de outra pessoa. Ou, talvez, que fosse outra pessoa vivendo a minha vida.

Por quê? Não sei. Pode ser porque eu já sabia que a ida não era definitiva (ainda) e me apegar demais aquilo tudo pudesse significar um sofrimento maior durante a espera que ainda tenho pela frente. Isso até faz sentido, mas acho que foi mesmo a ausência do marido. Parafraseando Vinícius de Morais, os solteiros que me perdoem, mas viver a dois é fundamental. Quando se faz essa escolha, de casar, você tem que se comprometer com a causa.

A sua rotina passa a ser coreografada com a do outro. Não deve ser em função dele, mas, sem dúvida, estarão conectadas. Com o marido em outro país, eu não conseguia estabelecer uma rotina pra mim, o que estava me deixando exausta. Não ter uma rotina pode ser altamente empolgante, para uns mais, para outros menos. Pra mim, confesso que gosto de “todo dia fazer tudo sempre igual”. Estava, literalmente, exaurida pelas atividades diárias e, sem o abraço dele no final do dia, não tinha cama e sono que me descansassem.

Realmente, sem ele lá, ficava faltando um pedaço. Apesar de eu curtir as coisas, não era o mesmo do que curtir com ele. Então o que eu fiz foi fazer a opção de não estragar esse momento. Eu quero curtir toda a felicidade de cada experiência no Canadá e, sem o marido, isso não é possível. Quem vive a dois sabe que é capaz de ter momentos felizes sozinho, mas que momentos plenos e completos só são possíveis com o outro. Se não, não é a vida que você escolheu. Não é você. Sozinha, lá em Toronto, não era eu.

Estou feliz por estar de volta pro meu aconchego, não vejo a hora de ficar deitadinha assistindo DVD, bem agarrada (um programa tão banal e que fez uma falta enorme), porém uma parte de mim ficou lá naquela terra, não tem jeito. Doidera, né? Querer voltar porque não era eu e voltar deixando uma parte de mim! Estar dividida desse jeito tem um  grande significado: já posso me considerar uma imigrante (de carteirinha - PR Card - e tudo!). Isso era exatamente o que eu queria! Minha sorte é que o abraço que vou receber lá no setor de desembarque do Galeão vai mais do que compensar esse pedaço que ficou lá.

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Escrito por K, às 13:33.

Friday, May 1, 2009

De volta pro aconchego

Categorias: Uncategorized

Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom, poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que vou mergulhar
Na felicidade sem fim

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Escrito por K, às 22:02.

Wednesday, April 29, 2009

Com que roupa eu vou?

Categorias: CWL, Canadá

Quase toda mulher passa por esse dilema quando tem que sair de casa, mas num lugar onde as temperaturas variam tanto como aqui (um dia está sol e fazendo 26º C e no outro está chovendo, fazendo 8º C), a questão da roupa não é simplesmente moda.

Quando está muito frio, e qualquer coisa abaixo de 0º C eu já considero muito frio, eu coloco meia-calça ou calça térmica por baixo da calça normal e coloco uma primeira camada na parte de cima também. Depois coloco a blusa normal e um casaco de cashmere por cima. Se eu estiver corajosa no dia, coloco o sobretudo, o cachecol, mas levo uma outra camada na bolsa. Normalmente eu já saio vestindo mais alguma camada.

Quando está acima de 15º C, coloco só a calça, a blusa, um casaco normal por cima e, talvez, o sobretudo. Mas é sempre importante levar mais alguma coisa na bolsa - por isso que os casacos de cashmere e colete são bons, pequenos e esquentam. Isso porque você  nunca sabe quando o vento estará frio, e venta muito por aqui. Ou quando o tempo vai virar, como aconteceu no último sábado.

Quando está chovendo, tenho três opções. Uma capa de chuva de tecido, uma outra daquelas fininhas e levinhas ou o casaco pra neve. Claro, depende da temperatura e do vento qual das opções vou escolher. O casaco de neve é bom porque, se não estiver muito frio, não precisa de outra camada, pois ele já dá conta.

O grande problema, mesmo, são os dias como hoje, que está 8º C, mas a máxima prevista é de 13º e está sol. Você se prepara pro frio ou pra uma temperatura agradável? Muito difícil. É nesses dias que você vê de tudo na rua, desde meninas com micro short a pessoas encasacadas e com cachecol. Nesses dias o vento também tem papel fundamental. 13º C com sol e sem vento é tranquilo, mas vai andar com uma ventania nessa temperatura!

O que eu tenho feito é lançado mão, de novo, do meu colete e do casaco de cashmere, às vezes de gola alta, pra tentar evitar o cachecol. E por cima, sempre, o sobretudo. Assim dá pra eu ter várias opções de aquecimento sem ficar carregada.

Só uma coisa não dá pra fazer: enfrentar vento e frio. Se fizer isso, é certo que vem um resfriado pela frente. Então, não caia no papo do povo por aqui que parece querer competir quem é mais forte pra enfrentar o frio. Sério, aparentemente, é motivo de orgulho usar pouco casaco e achar que 8º C é quentinho. Se você não acha e se você precisa de casacos, luvas e cachecol, vá em frente, afinal, é você que vai enfrentar as consequências no dia seguinte.

Ah, sim… e não se assuste quando começar a ouvir suas roupas estalando. Dependendo do tecido, estala mesmo e pode dar choque (não exatamente a roupa, mas digamos que você pode ficar mais elétrico). Maravilhas da estática (e mais uma coisa com a qual temos que nos acostumar…)!

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Escrito por K, às 23:31.

Tuesday, April 28, 2009

Um mês de Toronto

Categorias: Uncategorized

Escrevi esse post de manhã, mas algo aconteceu agora a noite que preciso registrar. Estava no terminal quando meu ônibus chegou e a motorista, uma senhora, avisou que ela teria que esperar pela polícia quando chegasse na rua “tal”. Ela disse que, com sorte, a polícia já estaria lá e a viagem não atrasaria muito, mas se não estivesse, nós teríamos que aguardar. Ela só não explicou o que a polícia queria com ela. Quando chegamos na tal rua, um carro de polícia já aguardava no cruzamento. Ela parou o ônibus no ponto e aí que entendemos o que estava acontecendo. Uma senhora, passageira, estaria perdida e a polícia estava lá para levá-la pra casa. Pacientemente, a motorista explicou para a senhora que ela iria pra casa e foi com ela até o carro dos policiais, com quem conversou e explicou tudo. Depois, quando voltou pro ônibus, a motorista explicou que a senhora estava há duas viagens no ônibus e que deveia sofrer de demência. Aparentemente, não conseguiram fazer contato com a família e aí a polícia iria com ela até sua casa para verificar a situação toda. Ai, ai, igualzinho… mas não vamos comparar.

Tem um mês que eu saía do nosso apartamento no Rio sem saber se eu voltaria a estar ali como moradora; tem um mês que, a caminho do aeroporto, fui parada numa blitz, só pra ser lembrada de um dos motivos que me fazia deixar o país; tem um mês que me despedi dos amigos de sempre, dos meus pais e de outras pessoas queridas; tem um mês que meu coração ficou pequenininho, já antecipando esse período sozinha aqui.

E tem um mês que eu não sei o que é sentir medo na rua; que eu posso ir e vir a hora que quiser (limitada apenas pelo horário do transporte público); que eu posso ir ao Starbucks, praticamente, a qualquer momento; que eu não sei o que é ser empurrada pra entrar ou sair do metrô. Enfim, tem um mês que eu vivo num lugar civilizado de verdade.

Nesse tempo, eu:

- Aprendi a sempre ligar a TV no CP24 para saber qual a temperatura e qual a previsão do tempo para o dia;
- Aprendi a valorizar o sol e o calor, mas ainda sem sentir saudade do inferno que é o Rio 40, mas já sei que, aqui, a regra é aproveitar cada minuto de sol e calor ficando na rua.
- Entendi que canadense tem garagem em casa para fazer bagunça, pois todos estacionam na rua (driveway) e, quando as garagens estão abertas, dá pra ver que não caberia um carro lá dentro, de tanta coisa que tem entulhada.
- Confirmei que os canadenses são muito simpáticos e que, invariavelmente, alguém te aborda na rua para fazer comentários dos mais diversos, desde elogiar sua roupa a te oferecer um Tylenol pra sua gripe.
- Conheci uma parte das dezenas de brasileiros que estão por aqui, a maioria com filhos, e confirmei que o Brasil está perdendo gente muito legal, pois todos são super atenciosos, simpáticos e receptivos.
- Vivenciei as maravilhas de ter uma máquina de lavar no estilo “tombamento”, que não enrosca suas roupas todas, e, principalmente, a secadora de roupas. Em duas horas suas roupas estão limpas, secas, macias e, se você esticar assim que tirar da máquina, passadas.
- Comi muita sopa, tanto Campbell, quanto de outras marcas.
- Descobri que o pão de forma daqui é muito mais encorpado do que o daí.
- Vivenciei a experiência de ter passarinhos catando minhocas no jardim da minha rua e, em 15 minutos de ônibus, assistir a um filme em 3D numa tela IMAX. Ou seja, é a banalidade da vida de interior convivendo com a última tecnologia de uma metrópole.
- Fiz o meu currículo no estilo canadense e consegui uma entrevista de emprego mesmo sem ter aplicado pra ela.
- Tirei a carteira de motorista G1.
- Descobri que aqui não tem pão de queijo, mas tem “cheese tea biscuit” no Tim Hortons e croissant de queijo em diversos cafés.
- Descobri que Cinnabon é bom!
- Constatei que cães são bem-vindos no metrô, nos ônibus e shoppings. E não precisa ser pequenininho, não.

From Canada

Foi muita coisa que aconteceu nesse tempo, não dá pra falar de tudo.

Hoje, apesar de a noite não ter sido boa por conta da saudade, acordei sem vontade de ir embora. Cada vez que estou andando pelas ruas daqui, que vejo tudo isso tudo em volta, confirmo minha vontade de vir pra cá. Agora, por exemplo, estou escrevendo esse post no metrô, o que seria totalmente impossível no Rio. Ao que tudo indica, esse plano será adiado por mais um ano, mas pelo menos já deu pra sentir que não é nenhum bicho de sete cabeças vir pra cá, que é totalmente viável.

Provavelmente, vou embora nesse próximo final de semana. Vou com o coração na mão, mas já está na hora de ir encontrar o marido. Ficar longe assim, apesar de ser perfeitamente possível, não é legal, ainda mais num momento em que grandes decisões estão sendo tomadas. Preciso ir atrás de alguma ocupação pra esse próximo ano, já que não é uma boa idéia voltar pro meu trabalho e perder a licença. Vou fazer curso de francês e um curso online de algum college canadense para chegar aqui com um mínimo de educação formal que eles reconheçam. Além disso, acho que vou fazer um curso da UofT de escrita para negócios. Pelo menos vai me dar um certificado para mostrar numa entrevista futura, já que essa foi uma preocupação. Enfim, não dá pra desanimar, tem que manter a cabeça erguida e torcer pros planos, finalmente, se concretizarem ano que vem.

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Escrito por K, às 23:11.

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