Child Care, você quer?

Child Care, você quer?

Vai ficar querendo!

Pelo menos é isso o que diz uma reportagem do The Star. Não é novidade para quem já deu uma mínima pesquisada sobre o assunto que as filas das creches no Canadá são enormes (Vale lembrar que tudo o que eu estou escrevendo aqui não vale para o Quebec.). Até aí tudo bem, mas euzinha (lê-se “a espertona aqui”) estava crente que bastava a pessoa se organizar para conseguir um lugar ao sol. Ou seja, assim que descobrisse a gravidez, colocasse o nome na lista de espera de algumas creches e que, com sorte, alguma delas ficaria disponível até o fim da licença maternidade.

Só que não é isso o que diz a reportagem. Tem casos de pessoas que colocaram os nomes assim que descobriram a gravidez, já estão no segundo filho e nada do primeiro conseguir uma vaga. Eu sempre entendi que essa era a realidade para todos, inclusive para aqueles que estivessem dispostos a pagar os tais mil dólares mensais pela creche. Mas depois de uma conversa que tive ontem com uma pessoa que já mora em Mississauga, fiquei na dúvida se essa dificuldade existe apenas para quem quer o subsídio do governo. Essa pessoa afirmou que, para quem está disposto a pagar o valor integral, há vagas em creches sem grandes estresses. Alguém tem algo a acrescentar sobre isso?

As opções para esse povo que não consegue a creche são, basicamente, duas. A primeira seria um dos pais deixar de trabalhar ou conseguir trabalhar de casa (isso pensando nos imigrantes que não têm familiares para ajudar perto). E a outra possibilidade é conseguir uma “home care”, que nada mais é do que uma pessoa que recebe crianças em casa. Para isso, ela precisa passar por um curso e ser licenciada. Cada um paga  para deixar seu filho lá (não tenho idéia de quanto). Sinceramente, não acho que qualquer uma dessas opções seja boa, mas, às vezes, é o possível. Acho importante o ambiente da creche para socialização da criança e não acredito que eu teria confiança para deixar meu filhinho querido na casa de uma pessoa desconhecida.

Essa questão do “child care” foi um dos motivos pelo qual eu fiquei chateada de o Harper ter continuado como Primeiro Ministro. Não sei muito sobre o perfil e projetos de cada partido, mas li um pouco sobre como cada um deles encara esse tema. Tem um resumo no The Star.

Os Conservadores (Harper) não parecem ter feito muito para solucionar esse problema desde que assumiram o poder, em 2006. Pelo contrário, parece que eles interromperam um projeto que ia bem. No lugar, eles criaram um benefício que paga 100 dólares mensais por criança abaixo de seis anos. O discurso é que esse dinheiro na mão dos pais daria a eles o poder de escolha na educação infantil dos filhos. Ou seja, eles não querem incentivar as creches diretamente porque acham que você pode escolher cuidar pessoalmente do seu filho ou colocá-lo numa “home care”, por exemplo. O grande problema é que esses 100 dólares (que são tributáveis e podem não ser integrais, dependendo da renda familiar) não dão nem para o começo. Eu me posiciono totalmente a favor do fim desse benefício para que a integralidade desse dinheiro seja direcionada a criação de novas creches, pois apenas assim os pais teriam opção, de verdade. Como está, a creche, por mais que seja a escolha, não é viável em muitos casos.

O partido Liberal prometia aumentar um pouquinho esse benefício, mas, principalmente, passar de 250 milhões (o valor atual) para 1,25 bilhões de dólares o investimento em child care. Ou seja, aumentaria consideravelmente o recurso para criação de novas vagas. Os outros partidos também prometem manter o benefício estabelecido por Harper (afinal, que político vai ser eleito se disser que vai cortar um benefício da população?) e aumentar o investimento. O NDP ainda garante que todas as crianças terão vaga em creches ao final de quatro anos de governo. Já o partido Verde diz que voltaria ao acordo antigo com as províncias e incentivariam a criação de child care nas empresas, através de um crédito anual por criança.

Ainda que sejam só promessas, todos prometiam mais do que os conservadores estão dispostos a dar. Isso, na verdade, segue bem a linha do pensamento do partido. É triste, mas basta ler os comentários dessas e outras matérias nos jornais. Um grupo considerável de pessoas acha um absurdo pagar pela creche do “filho dos outros”, as mesmas pessoas que acham que o governo deve diminuir o investimento nos imigrantes e fechar mais as portas. Conservadores. Mas a briga é boa e é ótimo ler os comentários contrários. Talvez falte um pouco de tempo para que todo mundo entenda que é de pequenino que se torce o pepino (Andréa…?) e que educação infantil é tão fundamental quanto a escola regular, que já é uma questão resolvida no Canadá.

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Escrito por K em Tuesday, October 21, 2008, às 14:09.

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7 Comentários (OBA!) »

  1. Comment by Priscilla

    Ola,
    Tudo o que vc escreveu no seu post, se aplica também ao Québec. Aqui temos filas de espera imensas para creches subsidiadas. Os home care daqui chamam-se meio de familia (meu filho esta em um), que não são uma “brastemp” mas para quem é novo por aqui com um milhão de coisas a fazer ajuda. As escolas particulares aqui também são em média $38 por dia. A pouco tempo ficamos sabendo que o governo antecipa sua restituição do IR para ajudar a pagar a creche ou senao vc aguarda a restituição…mas é preciso ter uma renda e projetar no ano quanto vc vai ganhar! Esta é a nossa nova tentativa, tomara que de certo!

    Até mais,

  2. Comment by Vitor

    Oi Camila!

    Esse assunto é preocupante mesmo. Apesar de não termos filhos, muitos imigrantes se mudam para o Canadá, como todos nós sabemos, com o intúito de dar uma boa educação aos filhos além da segurança e outros fatores.
    Espero que esse assunto seja resolvido o mais berve possível. Vamos torcer!

    Um grande abraço!

  3. Comment by Andréa

    Camila, infelizmente não tenho nada a acrescentar o seu post, pois só pesquiso sobre Secondary School… Mas com relação ao ditado popular, está certíssimo! Nota 10 pra minha aluna preferida!! Hehehehehe…

    Bjs,

    Andréa

  4. Comment by Dani

    Oi Camila,

    Já tinha percebido isto em Vancouver, que é meu destino, e isso é de fato uma das minhas maiores preocupações pois afinal pretendo ter eu segundo filho lá e o primeiro ainda tem 2 anos. A escolinha mesmo eles iniciam com 4 e 5 anos mas ficam apenas 2 horas e meia, só com 6 anos ficam 6 horas na escola…tempo habil pra fazermos algo.
    Tem uma outra questão, hoje, estou doente e minha sogra veio ficar com o leo até a hora da escolinha…e em Vancouver como faremos sem ninguém…nunca tinha pensado nisso até ficar com febre hoje…Bom, acho que o negócio é não encanar muito afinal todos imigrantes sobreviveram não é mesmo ?

    Bjs

    Dani

  5. Comment by jeanne

    eh por isso que quem pode acaba largando o emprego e retomando so quando o filho esta mais crescidinho.
    aqui mesmo no meu trabalho ha varios exemplos assim.
    meu colega mais proximo, por exemplo, chegou a ter tres empregos durante alguns anos para poder sustentar a familia enqto a esposa cuidava dos filhos pequenos. Mas e quem eh pobrw, faz o que?
    bjs

  6. Comment by Mariana

    Juuuuuro que não faria muita questão de ficar em casa tomando conta dos filhotes! Não sei se um dia encheria o saco, mas o meu “sonho de consumo” é um emprego part-time bem remunerado! Será que um dia eu consigo realizar?

    Beijos,
    Mari

  7. Comment by octavio

    Oi K!
    Estamos levantando custos de day cares versus au pairs. O custo por crianca pode girar em torno de $700. Trigemeos = $2100!!! Beeem caro, nao?!?!?!? Entao fomos ver Au pair ou caregiver. O salario eh definido pelo governo e em Alberta eh algo em torno de $1700 com room and board, a ser descontado, em torno de $300. Ou seja, pra quem tem mais que dois filhos vale mesmo a pena ter alguem em casa full time para cuidar dos pequenos, enaqunto os pais trabalham. Claro, precisa do espaco pra abrigar a au pair, mas pra quem vai alugar uma casa, no comeco, pode ser mais facil procurar de cara uma casa que acomode mais uma pessoa.
    Isso vai rolar no primeiro ano, enquanto as crias estao no Kindergarden, que tem carga horaria reduzida, em torno de 3 horas por dia. Quando estiverem na grade school, grade 1, com 6 anos, podemos contratar um after school, que eh muuuuito mais em conta.
    Vamos ver como as coisas se desenrolam…

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