O efeito sanfona
Quem vê o post anterior pode pensar que o título deste tem a ver com uma briga pessoal com a balança. Não que eu esteja satisfeita com o meu peso (e quem está?), mas não estou me referindo aos quilinhos a mais. Estou falando do efeito sanfona desse processo.
Dá pra perceber aqui pelo blog. Tem semanas que eu faço vários posts, coloco notícias e tal. Tem dia que eu escrevo um desabafo. Noutro, eu escrevo uma reflexão, que não chega bem a ser um desabafo. E teve até os dias de revolta e quase desespero. Ah, sim, e tem os períodos em que eu sumo do mapa. Tudo isso, eu diria, está diretamente relacionado com o peso que eu estou carregando nas costas.
Eu vinha lutando com esse peso. Todo santo dia, me questionava se seria, como seria, quando seria. No início, a questão era se tínhamos tomado a decisão certa. Depois, era com o processo em si, se estava tudo certo com a documentação. Vieram os exames médicos e a preocupação se estaria tudo ok com eles. Ao longo de todo o período, as preocupações com o que eu vou ser quando crescer no Canadá estiveram presentes. Mais ou menos presente, mas sempre batendo ponto nos meus pensamentos.
Até que, puff, sumiu. S-U-M-I-U!!! E eu devo ter ficado uns duzentos quilos mais leve, apesar de a balança só mostrar pouco mais de 60kg. Já tem um tempo que isso aconteceu, então acho que posso dizer que agora é definitivo, como quando a gente consegue, de verdade, fazer aquela reeducação alimentar, sabe? Parece que eu reeduquei meu cérebro e o peso foi embora de vez.
Posso dizer que foi muito bom. Agora, eu penso no Canadá, mas, primeiro, não considero que seja uma coisa certa. Segundo, não fico me angustiando procurando emprego e tentando decidir o meu futuro acadêmico. Vou chegar lá aberta às oportunidades que aparecerem e atenta para qual é a melhor opção dentro das minhas possibilidades. Estou convencida de que só vou ter certas respostas quando estiver lá, pois não sei que tipo de emprego vou conseguir (e, consequentemente, que tipo de salário), quais os cursos estarão disponíveis, como estará meu inglês posto à prova. Então, é devagar com o andor, um passo de cada vez, os bois na frente da carroça, devagar e sempre.
E se a crise não deixar que o Canadá se concretize nesse momento? Tudo bem, não será mais o fim do mundo. Afinal, há males que vêm pra bem, nada é por acaso e Deus sabe o que faz (fala aí, o povo é ou não inteligente?). Estou me concentrando nas vantagens de cada opção. Ficar no Brasil significa que o neném pode vir antes, que eu terei uma super licença maternidade, que podemos fazer mais viagens, que podemos usar o “fundo Canadá” para equipar e melhorar nossa casa. E se o Canadá não se concretizar nunca? Bom, eu não vou viver infeliz por causa disso, né? Vou ficar e fazer a minha parte para melhorar essa bagunça - rs!
O que importa é que tudo vai dar certo porque vamos fazer dar certo, no Brasil, no Canadá, ou em qualquer outro lugar. Não adianta perder tempo e gastar neurônio imaginando estratégias mirabolantes que podem nem ser necessárias na realidade. Uma realidade que não conhecemos e que trará necessidades igualmente desconhecidas, por mais que a gente tente se antecipar a elas. Eu não gosto de dizer “viva o agora” porque sinto uma conotação surreal nessa expressão. Eu acho impossível viver sem pensar no amanhã, até porque tudo perderia o sentido e não iríamos atrás dos nossos próprios desejos. Só que também não é legal viver o amanhã e nem se dar conta do presente. O que tenho feito, com uma leveza deliciosa, é viver a vida, aguardando o desenrolar dos fatos sem tanta ansiedade. Afinal, o tempo vai passar independente da minha vontade e pressa (“ando devagar porque já tive pressa…”). Pra falar a verdade, ele passa bem mais rápido quando nos ocupamos mais com coisas reais e menos com elocubrações.
O que eu quero dizer com esse post todo é muito bem cantado por Elis Regina, numa de minhas músicas preferidas: “viver é melhor que sonhar”. O Canadá é só um sonho, a vida é muito mais que isso.
Escrito por K em Thursday, November 27, 2008, às 20:07.




Comment by Octavio
K!
gostei da leveza! E da musicalidade! sempre uso essa frase da musica tocando em frente, do Renato Teixeira. O cara eh um poeta e a musica eh linda. Os dois primeiros versos tem tudo a ver com o que voce esta sentindo sobre a imigracao por Canada:
Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte,
Mais feliz, quem sabe,
Eu só levo a certeza
De que muito pouco sei,
Ou nada sei
Beijao
Comment by Artur
Filhote,
Você é sempre uma surpresa agradável! Quanta maturidade e leveza você revela no seu post de hoje.
Não imagina o quanto foi bemvindo para o meu momento de vida, com decisões não tão grandes quanto as de vocês, mas que também têm me incomodado bastante.
Adoro aprender com você!!!!!!!!
Beijos de boa noite!
Pai
Comment by Renata
Eu também ando incrivelmente leve, chego a estranhar essa despreocupação toda. O que me angustia é pensar no “pra sempre”, mas passei a pensar que não será pra sempre, será até quando a gente quiser, até quando Deus permitir. Acho que isso torna tudo mais suave…
Bjs
Comment by Flá
Poxa K, que bom ver que você está com a coisa “resolvida” na cabeça! Eu odeio essa ansiedade da espera e como você fico antecipando os problemas, o que não resolve nada, apenas gera mais ansiedade.
Acho que você está com uma atitude super positiva diante da mudança (ou não srsrsrrs) e que isso é o que vai te fazer crescer - no Brasil, no Canadá ou em qualquer outro lugar.
Tenho certeza que daqui uns anos vc vai ler esses arquivos e pensar “puxa, me preocupei tanto à toa….” E que venha 2009!
Beijos
Comment by Andréa
Eu já passei por esse momento de tranqüilidade, mas agora estou na fase “fissura” total. Não agüento mais essa espera, não consigo aturar com bom humor as coisas que acontecem no dia-a-dia, tá difícil, amiga… Acho que quanto mais perto vai chegando a hora de receber o pedido dos exames médicos, mais eu quero que a hora chegue e ela não chega nunca. Tenho que ficar mais “zen”, mas o que tem acontecido é que estou “zen” paciência, “zen” saco…! Ai, ai, como seria bom ligar o botão “fast forward” da vida e chegar logo a hora de começarmos a arrumar as malas! Eu acho que esse final de ano, aniversário, tudo junto, tá me deixando mais ansiosa do que o normal. Espero conseguir atingir esse nível de tranqüilidade em que você está agora. Pois não há nada mais a fazer do que seguir em frente, continuar a viver o que se apresenta no momento, fazendo planos, claro, sem no entanto deixar que eles controlem nosso pensamento.
Beijos e até mais tarde!
Andréa
P.S.: Seu pai é um fofo, viu? Sou fã dele!
Comment by Anne Caroline
Como vc disse no post anterior.. tem coisas que só o processo faz por vc.. =]~ Mto legal vc estar mais resolvida e decidida a fazer o melhor, onde quer que esteja, sempre! Fique bem… =]~
Comment by Marilena
Olá K,
que bom que vc esteja assim. Eu tambem estou bem mais leve mas porque sinto que meu processo está a poucos passos do fim e estou conseguindo enxergar uma luz no final do tunel. Pra mim, ir para o Canadá é muito importante e confesso que ficaria muito muito frustrada se não desse (ou não der) certo. Mas não estou indo pra lá para ser feliz. Concordo com vc que a felicidade tem que ser aqui e agora. Acho que quem imaginar que ir para o Canadá vai trazer a felicidade vai se decepcionar porque temos que ser felizes hoje.
Mas apesar de tudo o plano B e C estao prontinhos guardados na gaveta. E seja lá, aqui ou em qualquer outro lugar, com qualquer plano, tenho certeza que vai ser muito legal e já vai ter valido a pena pelas dezenas de amigos que conquistamos neste caminho.
E por favor providencie logo este bebê porque a Luísa já está ficando grandinha e estou com saudades daquele papo gostoso de mãe com nenê recem nascido.
bjs
Comment by Milan
Que poço de sabedoria
Uma pessoa não consegue ficar indiferente a nada do que você escreve. É quase um crime o Brasil perder você (e uma mais-valia sem preço o Canadá te acolher e te dar uma vida próspera). Um abraço, de Toronto desta vez :))) Muito frio, sem neve (mas com uma tempestade chegando este domingo). Vou ficar a ver da janela do hotel, o temporal virá ali daquele canto do lago Ontário, por detrás da CN Tower. Parece que estou no filme “Blade Runner” :)) Até breve!
Comment by Vitor
Oi Camila, tudo bem?
Como sempre, escrevendo posts excelentes!
Você tem toda razão, não podemos só viver o presente nem só o futuro. A vida é uma mistura de hoje com o amanhã pois, onde hoje planejamos e plantamos para usufruirmos no amanhã.
Aprendi muito a ter paciência e a ser menos ansioso com esse processo, porque querando ou não, o tempo passará na mesma velocidade de sempre. Mas como você mesma disse, parece que quando nos ocupamos com algo, a mente se desprende e nos dá a sensação que o tempo passa mais rápido, então, vamos continuar vivendo, planejando e deixando as coisas irem se resolvendo como devem ser resolvidas, a seu tempo e no tempo certo. Não é verdade?
Parabéns pelo post, K!
Beijos
Comment by Ronaldo
Olá Camila.
Dá pra perceber porque seu pai tem tanto orgulho de você. Já não é de hoje que você nos inspira e porque não dizer, nos ensina muito sobre a vida.
Parabéns pela serenidade.
Que Deus te dê muitas alegrias.
Ronaldo.
Comment by Mariana
Invejinha… mas daquela boa, viu? Ando um pouco mais leve ultimamente também, mas acho que é o clima do Natal! Sou daquelas que ficam meio abobadas com luzinhas piscando e uma decoração bem-feita na rua. Minha árvore tá montada já há um mês e quando bate um estressezinho eu olho pra ela e tudo fica mais feliz!
Beijos, Mari
Comment by Ciça
Pera, nao entendi… tu vais ou tu ficas??? Mana desculpa, é leseira mesmo!!
Comment by Renato
Oi K! Falei mal de Celine Diona mas já tive uma fase que ouvia a todo volume “I just have to admit that it’s all coming back to me now”. (É assim?). Mas hoje não suporto, rs… Adorei seu post: estou numa fase de se não der certo “life is bigger”. Não é fácil a espera, e quando começa a chegar perto, como é meu caso, coloco na balança vários planos alternativos: voltar pra minha banda, ter filho antes, investir mais na carreira, viajar mais… Sei lá. Complicado. Enquanto isso a gente vai blogando. Bjs. e desculpe chamar Brian Adams e Celine Dion de droga: sei que sou minoria. Bjs! Renato