Landing
Antes de embarcamos no teco-teco que, finalmente, nos levaria ao nosso destino final, Toronto, é que ficamos realmente nervosos. Até então era como se fosse qualquer uma das outras tantas viagens que fizemos nos últimos anos. Depois de tomar um latte no Starbucks, resolvi fazer um último xixi, só para garantir que não teria que ir no avião ou antes da imigração quando chegássemos. Minha última ida ao banheiro tinha sido há menos de um hora, mas achei melhor garantir.
Começa o embarque e nós, como “elite members”, entramos na frente. Uns 40 minutos depois ainda estávamos dentro do avião na fila pra decolagem. Foi nesse tempo que a ansiedade, realmente, tomou conta de nós e a vontade de fazer mais xixi passou de zero para desesperadora. Até que ajudou com o meu nervosismo porque até ser autorizada a usar o banheiro do avião, toda minha preocupação era manter todo aquele liquido (de onde saiu???) dentro de mim. Enquanto isso, o marido fazia exercícios de respiração para tentar controlar aqueles mixed feelings que estávamos sentindo no momento.
Eis que o avião decola - em meio a chuva, claro (ou não seríamos nós lá dentro) - e eu posso aliviar toda aquela minha vontade. Tento acalmar o marido dizendo que o pior que pode acontecer é não ser aceitos, o que, verdade seja dita, nos tiraria o grande peso de ter que decidir se nosso futuro está aqui, em terras canadenses, ou aí, em terras brasileiras (O quê?! Você achou que só porque a gente veio estávamos decididos? Tolinho…).
Desce o avião, nós saímos, ainda com chuva, e adivinha onde é minha primeira parada em Toronto? O banheiro do aeroporto! Depois é que começa, verdadeiramente, nosso landing…
Entramos na fila da imigração, depois de termos preenchido o formulário comum a qualquer visitante. Chega a nossa vez, o oficial vê nosso visto de imigrante, corrige uma informação no formulário, faz um risco rosa de ponta a ponta e nos encaminha para outro lugar. Chegamos num grande salão com vários guichês e um enorme espaço para fila, mas, thankfully, nós somos os únicos por lá.
O oficial que nos atendeu aí pediu nossos passaportes, o formulário enviado junto com os vistos pelo consulado no Brasil e o formulado riscado de rosa. Lê tudo, confere as informações de um em outro e pergunta quanto dinheiro estamos portando. Respondemos um valor bem abaixo do obrigatório, mas explicamos que já temos conta no Canadá com nossas economias. Ele pede para ver o comprovante e nós mostramos o extrato, dizendo que ainda temos mais dinheiro no Brasil, mas ele nem quis ver esses outros extratos, dizendo que bastava aquele primeiro.
Ele pergunta se já temos um lugar para ficar e informamos o endereço do basement que alugamos para os primeiros três meses. Ele anota, grampeia o formulário, agora preenchido e assinado, nos nossos passaportes e pergunta se viemos pra ficar ou se pretendemos voltar. Explicamos que o marido ficará apenas por duas semanas, mas depois de um mês voltará definitivamente (ou não). Ele explica que para mantermos o status de residente permanente precisamos viver no país por dois dos próximos cinco anos. E diz: “Welcome to Canada”!
Infelizmente, não fomos tão bem-vindos assim, já que o lugar reservado para instruir os novos imigrantes no aeroporto estava fechado. Ou seja, saímos de lá sem nenhuma informação de quais deveriam ser nossos primeiros passos aqui ou algum livrinho explicando alguma coisa. E eu, econômica que sou, não quis imprimir nenhum desses guias no Brasil porque estava certa que receberia algo assim quando chegassemos.
Pegamos nossas malas e entramos na fila comum da alfândega. O oficial vê nosso formulário marcado pelo anterior e nos encaminha, novamente, pra uma área especial. De novo, não pegamos qualquer fila. A oficial nos recepciona e nós vamos logo dizendo que temos a lista de Goods to Follow - acho que ela nem teria perguntado por ela. Mostramos a lista e ela logo pergunta pelos preços (coloquem os preços dos itens!). Conclusão, isso atrasou um pouco porque tivemos que colocar, na hora, os preços de cada coisa. Enquanto isso, ela conversou conosco sobre o país, nossa opção de imigrar e falou um pouco da vida dela. Muito simpática. Ah, sim, e reclamou que o oficial de imigração deveria ter nos explicado que aquele formulário que pregou em nossos passaportes deve ser guardado para o resto de nossas vidas.
Quando acabamos de preencher, ela somou os valores e nos deu um formulário com o total, o que nos permitirá trazer tudo aquilo para o país sem pagamento de imposto. Ah, sim, façam duas vias da lista. Ela ficou muito satisfeita quando viu que tínhamos uma cópia.
Pronto, acabou. Ela nos mandou seguir por um corredor. Quando chegamos lá vimos que ele dava para uma porta daquelas tipo de emergência e ficamos em dúvida se estávamos no lugar certo. Olhamos para trás e nossa “amiga” estava passando. Ela deve ter percebido nossa cara de perdido e disse: “Go on. Canada is right behind that door”.
And it sure was. Só que nós não tínhamos dólares canadenses e, óbvio, a casa de câmbio estava fechada. Tinha um ATM, mas nosso cartão do HSBC Canada não funcionou - não sabíamos ao certo qual era a senha em meio a tantos PINs que eles nós enviaram. Usamos nosso cartão de crédito brasileiro mesmo para fazer um saque. Pegamos uma limo na saída do aeroporto e viemos para o hotel.
Nesses primeiros dias estamos nada mais, nada menos, do que no Marriot Eaton Centre. Ou seja, temos ligação direta com o shopping e o metrô. Estamos aqui porque, na verdade, o marido veio a trabalho para participar de uma convenção que está acontecendo aqui no hotel.
Depois de nos acomodarmos fomos bater perna no shopping. Em menos de uma hora já tinha feito uma assinatura mensal de um celular da Fido e já estávamos ligando para nossos amigos daqui. Fomos jantar no Red Lobster - muito bom - com o Marcio, passamos na farmácia para comprar band-aids para proteger meus dedos prejudicados pela desidrose e desmaiamos na cama. Não sem antes acompanhar mais uma eliminação do BBB9 pelo site http://www.justin.tv . Ufa!
Bom, o frio lá fora me espera para mais providências nesse terceiro dia de Canadá. À noite tento registrar mais experiências aqui. Agora estou com pressa, nem vou revisar o texto, então, perdoem os erros. See ya!
Escrito por K em Tuesday, March 31, 2009, às 10:26.




Comment by Paulo Mello
Parabéns pelo landing. Adorei a narrativa, parecia até uma crônica.
Que estes primeiros dias tragam outros cada vez melhores.
Abraços,
Paulo Mello
Comment by jeanne
Welcome to Canada!
Precisando de algo, eh so falar.
Bjs
Comment by Flá
Esse “Welcome to Canada” do oficial da imigração quebrou eu e o marido. Saímos os dois com os olhos cheios de lágrima… hahahaha
Que bom que foi tudo tranqüilo. Aproveitem seus dias de turista, hein?
Bijinhos
Comment by Flávia
Oi K e Julio!
Nossa cada vez que eu leio um relato com o seu, o meu coração bate mais rápido…e me imagino passando pela mesma situação em breve!
Como sempre os seus relatos são divertidos e emocionantes!
Curta bastante este inicio de vida Canadense!
Estamos contando com o Julio no próximo encontro!
Bjs,
Flávia
Comment by Taís Jacques
Nossa Camila nem sabia que vcs já tinha embarcado…Tudo de bom nessa nova empreitada, e seu post estava ótimo, bem detalhando, para quem logo vai ir…….
abraços,
Taís Jacques
Comment by Sandro
Camila
Esse relato nos fez lembrar o turbilhão de emoções que foi a nossa chegada por aqui.
Muitas felicidades nesse início de vida e continuaremos por aqui acompanhando essa trajetória de sucesso.
Abração
Comment by Lucas
Olá, tudo bem?
Apesar de nunca ter deixado um recado acompanho o blog de vocês há algum tempo. Estamos aguardando a chegada dos passaportes com os visto e em agosto vamos para Ville de Québec. Nesse post você conta sobre a conta do HSBC que vocês abriram no Canadá. Eu já tenho uma conta no HSBC e achei legal a dica de mostrar o extrato da conta da agência aí em Toronto. Vocês abriram essa conta no Canadá ainda no Brasil?
Obrigado!
Um abraço,
Lucas & Roberta
http://projetocanada.wordpress.com/
Comment by Vitor
Oi K, tudo bem?
Nossa, só pude ver seu post agora. Como foi a viagem? Tranquila?
Que maratona essa do landing, viu? É muita informação para meros imigrantes! O oficial de imigração fez perguntas do tipo: Por que vocês escolheram o Canadá? E qual foi a documentação que ele pediu para ver?
Desejo tudo de bom para vocês nesse início de realizalção do sonho! Tenham fé, perseverança e paciência.
Beijos
Comment by Ciça
“(O quê?! Você achou que só porque a gente veio estávamos decididos? Tolinho…)”
Eu acho que vou dar uma pisa em vcs!!! Bom… deixa eu ler os outros post pra ver o tamanho dessa pisa!