A Saga da Carteira de Motorista: O Retorno
Depois de tentar de todas as formas tirar a carteira de motorista sem a tradução, eu entrei em contato com a Florinda, tradutora juramentada aqui em Toronto, e providenciei o documento. Ela é muito prática e pediu para eu enviar minha carteira scaneada por e-mail. Daí, era só eu passar na casa dela pra buscar, sem precisar esperar. Fiz isso no sábado e hoje de manhã fui lá buscar (ir até a Islington Station e pegar o ônibus 110 South - qualquer um - e descer na Queensway). Como não precisava notarizar a tradução, saí de lá e fui na 777 Bay St fazer a prova (talvez tivesse lugar mais perto, mas eu precisava comprar uma mochila que vi vendendo lá perto).
Ao chegar lá, peguei minha senha, mas me certifiquei de antemão se todos os documentos necessários estavam lá. A mulher logo me pediu a tradução e eu perguntei se teria algum problema por conta do meu nome na carteira de motorista, que é o de solteira. Ela disse que como o meu PR Card estava já com o nome de casada eu não teria problemas. Então, os documentos que eu precisei foram: carta do Consulado (27 dólares), tradução (30 dólares), carteira de motorista original e documento de identificação, o que eu usei foi o PR Card, mas acho que serviria o passaporte.
Mais um chá de cadeira de uma hora e fui chamada. Aliás, essa espera é bem chatinha porque não dá muito pra você se desligar e fazer outra coisa, pois são várias letras e senhas para cada uma delas. A chamada é feita por um visor e apenas um sinal toca. Então, toda vez que o sinal toca você tem que olhar pra saber se em que número está a sua letra.
Fui até o guichê e o rapaz pediu minha documentação. Depois, pediu que eu preenchesse um papel dizendo se eu preciso de óculos para dirigir, se eu já foi diagnosticada com algumas doenças e se eu já tenho experiência anterior como motorista - e onde. Perguntei sobre os óculos, pois, atualmente, tenho menos de 1 grau de miopia. Eu até prefiro dirigir de óculos, mas como não os uso sempre, não queria que constasse na minha carteira que só posso dirigir com a correção. Perguntei pra ele se podia fazer o exame sem os óculos e ver se eu passava. Ele disse que tudo bem.
O “exame” de vista é feito ali no guichê mesmo, em pé. Você olha num aparelho e tem que ler os números que ele coloca. Os primeiros que ele colocou eu mal podia ver que tinha algo escrito e, na segunda sequência, eu errei o último número. Ele disse que estava errado e eu acertei na segunda chance. Depois ele quer saber de que lado você está vendo os flashes. A primeira sequência é bastante nítida, mas a segunda eu confesso que não vi, efetivamente, as luzes, apenas senti de que lado estavam - acho que é pra testar sua visão periférica, sei lá. No final, ele disse pra eu marcar no formulário que não precisava de correção visual e tirou minha foto. Você tem que assinar um papel e colocar seu endereço (não esqueça do zip code). Depois, foi pagar a taxa de 85 dólares (pode usar cartão de crédito), relativa aos procedimentos da carteira e ao teste escrito - ainda tem outra taxa a ser paga depois pelo teste de direção. Ele me entregou os formulários, o recibo do pagamento e me direcionou para uma sala onde eu faria o teste escrito, que, segundo ele, era fácil, pois bastava usar o bom senso para responder.
Na sala, eu esperava computadores, mas no lugar deles tinham pequenas - e pré-históricas - “televisões” com uma espécie de teclado na frente, apenas com as opções de resposta e botões específicos para o teste. Aguardei um pouco e fui chamada para começar a prova. O pior é que eu nem sabia quantas questões eram e quantas eu tinha que acertar… na verdade, bastava saber que eu tinha que acertar o máximo possível, né?
O teste é meio estranho. Quase toda questão é precedida por um vídeo ou uma imagem. Nem sempre as imagens ajudam. Por exemplo, numa das questões perguntava o que você devia fazer quando se deparasse como uma placa de “pare” e, no vídeo que mostrou antes o carro apenas reduzia a velocidade e seguia. A resposta certa, nesse caso, é parar totalmente o carro e seguir quando for seguro. Ou seja, se você respondesse o que o vídeo mostra, teria errado.
São 40 questões e você só pode errar 4 para passar, ou seja, tem que acertar 90% to teste. Não vou dizer que é difícil, mas também não são apenas questões que o bom senso responde. Por exemplo, na minha prova perguntou o que significa uma luz azul em cima de um veículo. Talvez se tivéssemos crescido no Canadá saberíamos, mas brasileiros não sabem que isso indica uma veículo que tira neve das ruas. Eu estava preocupada com questões que perguntassem quantos pontos correspondem a uma infração específica, mas não caiu nada desse tipo. Não sei se dei sorte ou se não cobram mesmo esse tipo de informação. No final das contas, fiquei feliz por ter lido o guia e por ter dado atenção à parte das placas, pois muitas questões foram sobre isso e, novamente, várias placas não são óbvias.
Durante o teste, quando você acerta uma questão, ele passa para a seguinte e, quando você erra, ele te informa qual era a resposta certa e, então, passa para a seguinte. Então, ao longo da prova você já sabe quantas errou. Ah, sim, acho que não precisa falar, mas como aconteceu com uma menina enquanto eu fazia a prova, vou registrar. Você não pode consultar nenhum material enquanto está fazendo o teste. Uma menina foi procurar a resposta no guia dela e, óbvio, teve o teste zerado e foi convidada a retornar outro dia. Aliás, isso é meio chato, pois fazemos a prova numa sala com várias outras pessoas, inclusive as que ainda estão aguardando. Isso pode distrair bastante, como aconteceu comigo quando a tal menina começou a discutir que não sabia que não podia consultar o livro.
Assim que meu teste acabou, um rapaz me chamou no balcão e me deu minha licença temporária, que é um papel assinado por mim. Acho que a carteira vai chegar pelo correio e a validade é de 5 anos. O teste escrito, que foi o que eu fiz hoje, te dá direito à carteira G1, que foi a que eu peguei. Essa carteira, na prática, é para que os adolescentes - novos motoristas - possam aprender a dirigir. Ou seja, essa carteira permite que você dirija com alguém que tem a carteira G Full (completa) no banco do carona. Você não pode transportar mais pessoas, não pode dirigir sozinho, não pode pegar estrada, enfim, uma série de restrições. Teoricamente, você precisa cumprir um tempo de experiência nessa categoria para poder fazer o teste de direção, mas como eu já tenho experiência no Brasil - e é para comprovar isso que serve a carta do Consulado - posso fazer a prova prática imediatamente.
Para a prova prática vou ter que pagar outra taxa e fazer o agendamento online. Dei uma olhada hoje e só tem data para o final de maio. Então vou entrar em contato com algum instrutor para marcar umas aulas práticas e agendar o teste de acordo com a disponibilidade dele também, já que preciso que ele vá comigo no dia. Isso vai ter que ficar pra junho, que é quando eu tenho certeza que estarei por aqui.
E adivinhem onde eu escrevi esse post?
| From Canada |
Nesse banquinho aí, que fica no Centennial Park, que fica perto do lugar onde estou morando. Como legítima canadense, quis aproveitar a temperatura acima dos 20 graus e levei meu note pra passear. Pena que o calorzinho ainda não veio pra ficar. Ontem estava menos de 10 graus e amanhã voltaremos a esse patamar, com chuva pra piorar. Mas, tudo bem, uma hora o verão chega. Por enquanto, estamos na primavera.
| From Canada |
Escrito por K em Monday, April 27, 2009, às 21:37.




Comment by Andréa
Que lugar lindooooooooooo!!! Escrever no blog num lugar destes é realmente inspirador! Parabéns pela carteira G1, querida! Mais um passo completado, hein?
Beijocas,
Andréa
Comment by ultranol
Falae… parabens por mais uma etapa vencida!
Uma pergunta: vc tava com algum modem wireless? tipo Vivo Zap? pra poder acessar a internet do parque…
Comment by Taty
1o - ahhhhh que inveja desse lugar lindo para postar
2o - “talvez tivesse lugar mais perto, mas eu precisava comprar uma mochila que vi vendendo lá perto” HUA HUA HUA
3o - meuuuu…. fala sério esses monitores… já vi em filmes da década de 80 hahahahahaha… até imaginei os caras com aqueles baita carimbos vermelhos carimbando um FAIL hahahahaha
4o - boa sorte na prova prática…
5o - A inveja do parque e o note ainda não passou hehehehehe
beijos
taty
Comment by Ciça
Maninha, me deu suadeira só de ler essa saga da carteira de motorista. De longe esse foi meu maior desafio nessa terra, e olha que já dirigia no Brasil, mas nem por isso deixei de sofre! Consegui… mas nao gosto nem de lembrar! hahahaha
P.S: Que lugar chato pra postar, né mana?
Comment by Mariana
Oi K,
Muito bom saber dessa história do teste de vista. Também sou míope com menos de um grau e não uso óculos 100% das vezes, ou seja, vou fazer igualzinho como vc fez e pedir pra me certificar depois do teste.
E parabéns, hein? Agora vc é uma PR semi-motorizada! hehehe
Beijos, mari
Comment by Renata
Delícia de lugar!
Prabéns por mais essa conquista!
Bjs
Comment by jeanne
Lá na Downsview eu fiz o teste com lápis e papel mesmo, e quando alguém era reprovado asala interia ficava sabendo porque o cara falava alto e mandava o coitado ir pagar mais $6 ou $7 e esperar para fazer a prova de novo. Não sei quantas vezes pode refazer, mas me falaram de gente que foi reprovada 4 vezes…
Bjs
Comment by Artur
Filhote,
Parabéns por mais esta! Como já disse, vc me surpreende sempre!
Beijos,
Pai
Comment by Jeison e Susana
Nossa…
Não é pra menos que eles adoram parques… Olha essa vista !!!
E Parabéns !!! Tomara que tudo dê certo na ultima etapa também…
T+
Comment by Gianpaolo
Pessoal, dica para quem estiver lendo…
Consegui fazer a G1 sem tradução, neste endereço. (Mas com a carta do consulado….)
Victoria Terrace Plaza
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