Folha do Canadá

Wednesday, August 6, 2008

Passagens, malas e excessos III

Capítulo 3: Usando suas milhas para imigrar.

E, então, pensei numa pequena loucura. O marido e eu temos 20.000 milhas na TAM cada um e dificilmente conseguiríamos usá-las antes do vencimento. Tive a idéia de usarmos essas milhas para emitirmos bilhetes só de ida para o Canadá. Infelizmente, isso não é possível pois a TAM só emite bilhetes de ida com milhagem nos trechos que ela própria opera. Ou seja, o mais perto que chegaríamos seria NY. Ora, uma passagem de NY para Toronto é super barata, usaríamos as nossas milhas antes que vencessem, não pagaríamos uma fortuna por um bilhete só de ida,… E o melhor, não teríamos que ter as 40.000 milhas exigidas para uma passagem ida e volta! Perfeito? Não, tem as malas!

Graças a uma regra da Infraero, os vôos que saem do Brasil ou têm o Brasil como destino, obrigatoriamente, devem ter uma franquia de duas bagagens de 32kg despachadas por passageiro. Isso é exclusividade nossa porque no resto do mundo o peso franqueado é de 23kg e olhe lá! Pior, as companhias americanas lançaram uma moda esse ano de não dar franquia nenhuma de volume despachado, você paga até pelo primeiro volume!

Ou seja, como fazer com as malas? Se resolvêssemos relaxar e pagar o que fosse pelos excessos, pagaríamos uns US$900,00, dependendo da cia escolhida para ir pro Canadá, para levar seis volumes de 32kg (dois volumes extras até NY e todos os excessos de NY até Toronto). Ainda assim seria melhor, pois seria menos da metade do que pagaríamos se comprássemos as passagens só de ida.

Não sosseguei por aí e fui atrás de uma opção ainda mais econômica. Pensei: “para levar um volume extra até NY pela TAM é relativamente barato, US$85,00, o grande problema é de lá para Toronto. E são duas cidades muito próximas”! Solução: a gente manda alguns volumes por Fedex pro endereço onde formos ficar inicialmente no Canadá. Fui pesquisar os preços e vale a pena: US$65,00 por uma caixa de 32kg, pelo “ground”, num prazo de três dias. Despacharíamos nossas caixas excedentes no próprio aeroporto de NY para o Canadá. Ótimo!

E eu quero economizar mesmo! Então, minha loucura vai ainda além. Sair daqui com seis volumes de 32kg (entre malas e caixas), com uma caixa/mala desmontada dentro de um deles. Ao chegar em NY, tiraríamos nove quilos (já previamente separados) de quatro dos volumes para encher a caixa que foi desmontada. Enviaríamos essa caixa (com 36kg) e outras duas (com 32kg) pelo Fedex e embarcaríamos com as outras quatro, dentro da “franquia” do último vôo (com as novas regras americanas, teremos que pagar US$15,00 pelo primeiro volume e US$25,00 pelo segundo volume até 32kg. Mas isso é moleza!). No final da empreitada, gastaríamos uns US$450,00 para levar todas as malas pro Canadá (isso se não conseguirmos fazer o tracho NY-Toronto pela Lan Chile, que tem franquia de mala despachada.). Com a economia, a gente pode até comprar um Eee PC!

Loucura? É, pode ser, mas o marido e eu estamos bem acostumados a fazer e refazer malas, em aeroportos inclusive (sempre temos problemas com excesso!). Isso representaria uma economia que seria muito bem vinda no nosso início de vida canadense e, mais, chegaríamos ao Canadá apenas com quatro volumes relativamente leves, o que facilitará o transporte até o nosso primeiro cantinho.

Sempre gosto de falar das outras opções que pesquisei. Verifiquei que as outras companhias aéreas não expedem passagem só de ida com milhagem ou, se fazem, cobram a mesma quantidade de milhas, então não chega a ser grande vantagem. Quanto ao envio das caixas, é possível mandar pelos Correios (por Fedex seria inviável) e o valor fica em torno de R$ 274,00, uma caixa de 20kg (máximo permitido).

E chega de novela, né? Daqui a pouco eu vou estar aqui discutindo se foi a Flora ou a Donatela que matou o cara (não, eu não vejo novela, mas leio notícia. Fiquei chocada quando, hoje, li que a Flora é a assassina! Não pela Patrícia Pillar ter matado o próprio amante, mas por um jornal noticiar isso…).

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Escrito por K, às 18:33.

Monday, August 4, 2008

Passagens, malas e excessos II

Capítulo 2: Malas, pesos e medidas.

Quando compramos uma passagem aérea, em regra, temos direito a uma franquia de bagagem. O mais comum é podermos levar duas bagagens despachadas, uma mala pequena de mão e um item de uso pessoal (pode ser uma bolsa feminina ou um notebook, por exemplo). O peso e as medidas para cada volume variam de acordo com o trecho que se está voando e com a companhia aérea escolhida. Quando ultrapassamos algum dos limites estabelecidos, temos que pagar uma taxa.

A regra geral é que a franquia de bagagem em vôos nacionais seja de dois volumes de 23 kg, além da bagagem de mão. Para vôos internacionais com o Brasil como uma das pontas, a franquia é de dois volumes de 32kg despachados. Vale ressaltar que pelo mundo esse limite, normalmente, é de 23kg, mas quando o vôo é para o Brasil, as companhias são obrigadas a permitir os 32kg por conta de uma legislação nossa. Essa informação, aliás, é bom ter, pois estou cansada de ter que ensinar para funcionários nos check in que nós temos esse direito. Várias vezes eles querem cobrar excesso.

Além do peso, é preciso fica atento às medidas para o caso de volumes grandes demais. As companhias costumam permitir volumes com medida de 158cm. Esse valor deve ser maior do que a soma do comprimento com altura e profundidade da sua mala. Acho que é meio difícil ultrapassar esse limite, mas, tratando-se de imigração, temos uma vida inteira pra levar, então é possível que os volumes fiquem gigantescos.

Deve-se ficar muito atento com a cobrança dos excessos, pois cada limite excedido é cobrado separadamente e, ainda, há um valor máximo que não pode ser ultrapassado (normalmente, 75kg). Por exemplo, se você está levando três malas de 40kg, deverá pagar o terceiro volume e o excesso de peso para os três volumes. Se, além do peso, alguma mala sua ultrapassar as medidas estabelecidas, você pagará a taxa prevista para isso também. No final das contas, você pode acabar pagando uma fortuna por esses excessos. Pela TAM, por exemplo, cada um desses excessos custará US$85,00 num vôo internacional. Para levar a terceira mala pela American Airlines é preciso pagar US$150,00.

Algo importante para registrar também é que em vôos com escalas/conexões, sempre rola um estresse para que permitam a maior franquia. Isso porque as franquias para vôos domésticos é sempre menor do que para vôos internacionais. Então, sempre, seja dentro do Brasil ou no exterior, rola uma discussão se o excesso deve ser pago para a parte interna da viagem. Nas nossas viagens isso sempre acontece, mesmo quando a passagem é comprada de uma vez só. Por exemplo, essa última viagem, para Londres, fomos de British. O vôo parava em São Paulo, tanto na ida, quanto na volta (pela TAM). Na ida, não tivemos problemas, mas, na volta, a mocinha do check in fez de tudo para cobrar o excesso, tanto nosso quanto dos outros passageiros na mesma situação. Como todas as outras vezes, depois de chamar gerente e armar um pequeno circo, não pagamos nada, mas houve o estresse. É por isso que eu sempre me recuso a pagar o que me pedem na hora do check in, pois eles mesmos não sabem o que estão falando. Até hoje tem funcionado e nunca pagamos nada.

A novidade lá pela América do Norte é a cobrança de taxa desde o primeiro volume. As companhias estão cobrando pequenas tarifas pelo primeiro e segundo volumes. A partir daí, vale o que já estava em vigor. No entanto, acho que essas cobranças só existem para vôos domésticos, mas é algo que chama a atenção e desperta uma certa preocupação. Afinal, as passagens não são baratas e, além das refeições, já estão cobrando as bagagens. Ah, sim… também cobram a taxa de combustível. Onde isso vai parar?

É por isso que nós estamos considerando seriamente o uso de caixas ao invés de malas. Mesmo as malas mais modernas (e, consequentemente, mais caras) pesam, pelo menos, 4kg, o que já nos deixaria com 28kg disponíveis por mala. Uma caixa 50cmX50cmX40cm custa R$5,00 e pesa 500g. Pra quem ainda teria que comprar mala, fora a economia de peso, fará uma grande economia em dinheiro! A família Barros levou caixas e parece que a experiência foi boa.

Eis os links para as páginas com informações sobre as franquias de bagagem nas principais companhias aéreas.

- TAM: nacional e internacional.

- Air Canada

- American Airlines

- Continental

- Delta

- Lan Chile

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Escrito por K, às 15:05.

Friday, August 1, 2008

Passagens, malas e excessos I

Capítulo 1: derrubando o mito da terceira mala da Air Canada.

Tem um post sobre imposto de renda no forno, mas hoje não estou com ânimo pra um assunto tão pesado e o marido já está me cobrando atualização por aqui. Então, vou falar do assunto que me ocupou essa semana, que é sempre mais fácil. Estamos a sete meses da tão esperada ida e comecei a procurar passagens, ver as melhores opções, franquias de bagagem, preços e tal.

A primeira grande dúvida é comprar um billhete só de ida ou um de ida e volta. O problema é que o valor do bilhete só de ida é desproporcional, se comparado com o outro. Mas se não formos usar a passagem de volta, então é melhor gastar menos, mesmo dando uma dorzinha pagar tão caro só pela ida. Pensava em comprar um bilhete comum e marcar a volta para dezembro, quando visitaríamos o Brasil pela primeira vez, mas essa semana entrei em contato com algumas companhias aéreas e descobri que uma passagem com prazo de um ano para o retorno usa a mesma tarifa do que a passagem só de ida. Ou seja, não adianta. As atendentes me explicaram que esse tipo de tarifa não tem promoções e descontos, por isso é tão caro. Só para dar uma idéia, uma passagem só de ida pela Air Canada (Rio de Janeiro - Toronto) custa US$ 1153,00, com as taxas incluídas. E uma passagem comum, de ida e volta, com retorno em dois meses, custa US$ 1394,00.

A outra grande questão é a franquia de bagagem. Pelo que leio nos grupos de discussão e nos blogs, o pessoal, na maioria, opta por comprar a passagem só de ida da Air Canada porque eles dão direito ao terceiro volume nos casos de imigração. Fui tirar essa história a limpo e é mesmo verdade, mas há controvérsias se é a melhor opção. O terceiro volume “grátis” só vale para o trecho em que é a própria Air Canada voando, ou seja, de Guarulhos para o Canadá. Se você não é de São Paulo, terá que ir até lá pela TAM e, no caso, pagar o volume extra ou contar com a simpatia do atendente na hora do check in. Nosso caso. Então, nós teríamos que pagar o volume extra, se é que não cobrariam também o excesso de peso, já que, em vôos domésticos, a franquia é de 23kg e não 32kg. Teríamos que contar com muita simpatia do funcionário.

Fiz as contas e, financeiramente, essa opção pela Air Canada não é tão vantajosa assim. Isso porque nem cheguei a incluir a possível cobrança pela bagagem no trecho da TAM. A passagem só de ida pela American Airlines custa US$ 1054,00 (com taxas), sendo que teríamos que pagar US$ 150,00 pela terceira mala de 32kg, ou seja, o total seria US$ 1204,00. Isso já com todas as malas incluídas (três volumes de 32kg) desde o Rio até Toronto. Contra os US$ 1153,00 pela Air Canada com a preocupação do trecho voado pela TAM. Teríamos que passar pelos EUA, mas, em compensação, muito provavelmente não teríamos que passar por São Paulo (não preciso nem dizer que isso só é opção para quem tem o visto americano).

Bom, o post ficou muito grande, então vou quebrá-lo para não deixar de colocar informações que podem ser importantes para quem está nesta fase também. Se é o seu caso, acompanhe os próximos capítulos!

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Escrito por K, às 15:56.

Tuesday, July 29, 2008

Webcam para matar a saudade?

Não tenho a menor dúvida que a tecnologia é uma grande arma contra a saudade que sentimos, seja em viagens, seja na imigração. Eu nem contei aqui, mas o marido ficou fora a semana passada toda. Nós somos muito pouco acostumados à distância, pois desde do dia em que nos conhecemos (ou seja, quando começamos a namorar) vivemos num grude só. Então, eu morro de saudades… mas alguns instrumentos facilitam a sobrevivência nesses períodos.

O primeiro deles, sem dúvida, é o Nextel. Nós nos falamos várias vezes ao dia, até mais do que quando ele está por aqui. Basta apertar um botão pra falar com ele em qualquer lugar no nosso continente. E isso custa R$ 2,00 por dia! Além do Nextel, tem o Skype para a noite, já que não é muito confortável conversar apertando botão no rádio. Então, quando ele chega no hotel, usa o notebook pra gente se falar pelo Skype, de graça.

Abre parênteses. Dessa vez, eu decidi que não ia ficar me remoendo de saudade. Tem uma música do Leoni que diz que a gente só sofre por querer. Eu decidi que não queria. Então, me ocupei durante todo o tempo. Sempre tinha alguma coisa ligada fazendo barulho lá em casa (ficar sozinha e em silêncio dá sensação de solidão, então, evitei esses momentos), assisti a vários filmes que ele não curtiria, saí com papai, com mamãe, fui visitar minha priminha. Enfim, eu senti muita saudade, mas não deixei que ela me machucasse. Fecha parênteses.

Lá pro meio da viagem, o marido resolve experimentar a webcam que ele tinha acabado de comprar. Gente, eu estava bem, mas foi só a imagem dele aparecer na minha tela que eu comecei a chorar. Deu uma tristeza sem fim, uma saudade insuportável, um aperto no peito que eu não conseguia mais ignorar. Depois eu não quis mais usar a webcam. Não sei porque reagi assim. Vê-lo aumentou a saudade, ao invés de diminuir. Acho que fica muito evidente que você não pode abraçar a pessoa, tocar.

Independente do motivo, fica o aviso. Cuidado com a webcam. Acho que não vou querer usar com meus familiares quando estiver no Canadá, para o meu próprio bem e o deles. Talvez eu não consiga resistir à tentação de vê-los ao vivo, mas já sei que o coração vai apertar demais nessas horas.

E vocês, já usaram a webcam para matar a saudade? Como foi?

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Escrito por K, às 18:22.

Friday, July 25, 2008

GST, PST e as bicicletas

Categorias: CWL, Canadá, Toronto e GTA

Os impostos sobre os produtos canadenses, assim como nos EUA, são cobrados no momento de pagar a conta. O que significa que você vai pagar mais do que o preço na etiqueta do produto. Quando é algo barato, nem faz diferença, mas já imaginou se programar pra comprar um super eletrônico de cinco mil dólares e só lembrar dos impostos no caixa? Uh-oh.

Antes de falar o que as bicicletas têm com isso, deixa eu explicar um pouquinho de cada imposto. GST é a “Goods and Services Tax”, ou seja, é o imposto federal que incide sobre produtos e serviços. Ele é cobrado sobre todo o território canadense nos bens e serviços determinados pelo governo federal. Aliás, os canadenses ganharam um grande presente no início desse ano: o GST foi reduzido de 6% para 5%. Ufa, que alívio, não? Mas, mesmo sendo uma pequena redução, é sempre melhor diminuir do que aumentar… se diminuíssem 1% todo ano seria ótimo! Segundo uma reportagem da CBC, nem todas as empresas fizeram essa redução imediatamente e continuaram cobrando os antigos 6%. Um absurdo que já deve ter sido resolvido atualmente, já que a reportagem é de fevereiro.

Além do GST, tem o PST (Provincial Sales Tax), que é o imposto provincial cobrado sobre as vendas. Ele pode receber outro nome, como RST (Retail Sales Tax). Como é provincial, a taxa varia. Prince Edward Island cobra 10% sobre as vendas, sendo o maior PST do país. A rica província de Alberta já deve ganhar dinheiro suficiente do petróleo e, portanto, não cobra a taxa (isso, sim, pode representar um grande alívio!). As taxas nas outras províncias você pode encontrar aqui (procurei uma fonte oficial, mas não encontrei).

Quando você fizer uma compra, então, será cobrado tanto o PST quanto o GST, a não ser nas províncias de New Brunswick, Terra Nova e Nova Scotia, onde você pagará apenas um imposto, que é o HST (Harmonized Sales Tax). No saldo final não fará diferença, já que o HST nada mais é do que a soma da taxa provincial (PST) com a federal (GST). A diferença é que o PST será 8% até que seja reduzido ou aumentado no futuro, mas será sempre o mesmo para todas as províncias que usarem o HST.

E as bicicletas? Bom, cada província decide sobre quais produtos incidirá o PST e, como acontece no Brasil, eles dão isenção para produtos que precisam de algum incentivo. Desde agosto de 2007, Ontário isentou alguns produtos Energy Star do imposto por gastarem menos energia e, consequentemente, serem mais ecológicos. Agora, eles estenderam a isenção até o ano que vem e decidiram incentivar o uso de bicicletas como opção ecologicamente correta de transporte. Assim, não será cobrado PST de bicicletas cujo valor não ultrapasse os mil dólares. E, claro, preocupados com a segurança de seus cidadãos, os equipamentos de segurança, como capacetes, também receberão o benefício.

Ai, ai,.. *suspiros*… Esse é ou não é o país onde vocês querem morar?

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Escrito por K, às 17:00.

Tuesday, July 22, 2008

Wagon welcomes you!

Post rapidinho só para falar sobre esse serviço chamado Welcome Wagon. Antes de qualquer coisa, o crédito vai para o blog Aventura Canadense, pois nesse post falaram sobre ele. Depois que li sobre a experiência deles, fui na página do Welcome Wagon e, mais uma vez, tive certeza que é pro Canadá que eu quero ir.

Trata-se de um grupo de pessoas (não sei exatamente se devo descrever como uma empresa, pois o serviço é todo gratuito) que acompanha as famílias nos momentos que estão passando por alguma mudança importante em suas vidas, como um casamento ou a chegada de um bebê. E, claro, quando você está chegando numa nova comunidade.

Pelo que andei lendo no site, você preenche um formulário e, então, um “conselheiro” irá visitá-lo, para te dar as boas-vindas na comunidade, tirar as dúvidas que você tenha e levar uma cesta com vários produtos e cupons de desconto. A partir de daí, você pode contar com eles para começar sua nova vida na região.

Infelizmente, eles não estão presentes em todo o Canadá, mas estão na maioria das cidades escolhidas pelos novos imigrantes. O serviço parece tão bom que a gente fica até desconfiado, sabe? Quer dizer, eu fico. Mas acho que vou experimentar quando chegar. Afinal, eles existem desde 1930, então, só pode ser coisa boa.

Para quem é recém-chegado ou já está fazendo as malas para ir, fica a dica. Para os que já foram, alguém usou o serviço?

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Escrito por K, às 11:52.

Friday, July 18, 2008

Afinal, Toronto é ou não segura?

Hoje, lendo meus feeds, me deparei com um post no Building Bridges sobre uma reportagem do The Star que, mais uma vez, traz estatísticas fresquinhas (foram divulgadas ontem) da criminalidade no país. Muita coisa para escrever sobre o assunto, afinal, adoro números! Vamos por partes…

Primeiro, a matéria trata dessa grande dualidade que existe entre os números e a sensação de insegurança que muitas pessoas que vivem em Toronto têm. A questão é que os números da violência na cidade são sempre baixos, mas os jornais, diariamente, trazem notícias de homicídios, roubos, etc. Vale a pena ler a matéria porque discutem a origem dessa questão. Quem for lá, não deve deixar de ler pelo menos alguns dos comentários feitos pelos leitores, que quase sempre enriquecem ainda mais o jornal. Li vários e muitos dizem que se sentem seguros, que nunca viveram uma situação de violência, enquanto outros morrem de medo de visitar amigos em Scarborough, por exemplo.

Mas é claro que, quanto à estatística, eu fui buscar os números na fonte, que é o site Statistics Canada. Na verdade, esse estudo é divulgado todo mês de julho pelo Canadian Centre for Justice Statistics tendo como base os crimes reportados à polícia no ano anterior, no caso, 2007. O trabalho completo é gratuitamente divulgado on line e pode ser comprado em versão impressa. Eu já li e fiz minha anotações, que, claro, dividirei com vocês (passe o mouse sobre as palavras sublinhadas para ver os números).

Em relação aos crimes em geral, Ontário (5.228 por 100.000 habitantes) superou a província de Quebec (5.517), ficando com a menor incidência de todo o país. Quatro províncias ficaram consideravelmente acima da média nacional, são elas: Alberta, British Columbia, Manitoba e Saskatchewan

Desses crimes (”em geral”), um em cada oito são violentos. O que dá um grande alívio, já que, além das taxas serem sempre baixas, a violência estará presente numa freqüência ainda menor. Ter algum bem furtado não é uma boa experiência, mas se esse fosse o maior problema aqui no Rio, talvez o nosso projeto Canadá nem existisse. Voltando à violência, o país registrou as menores taxas de crimes violentos dos últimos 20 anos (fala sério, vocês não amam o Canadá?!). Em primeiríssimo lugar, com a menor taxa, portanto, vem Prince Edward Island (palmas para o príncipe!!!); em segundo lugar, reafirmando sua imagem de província segura, Quebec; e, em terceiro lugar (rufem os tambores…), Ontário!

Mas é aí que a vaca torce o rabo (é isso mesmo? Eu nunca sei essas frases populares…). Apesar de estar na terceira província menos violenta da terra do Maple, Toronto apresentou o maior número de homicídios, em termos absolutos, e o maior desde 1992. É nisso que a maioria das pessoas que acham que Toronto está mesmo violenta se baseia, pois diz que a cidade só aparece bem nas estatísticas em valores proporcionais porque tem a maior população do país. Por esse raciocínio, é como se a grande população servisse para diluir a realidade de violência.

Agora vocês vão me dar licença, porque não dá pra concordar com isso, né? É muito claro que nós só temos a real noção da violência num lugar se fizermos um estudo proporcional. Ora bolas, se uma cidade tem 100.000 habitantes, dos quais 50 são mortos num ano, e outra, com 50.000 habitantes, tem 40 mortos num ano, não dá pra dizer que a primeira é mais violenta que a segunda. A outra teve um impacto muito maior para a população do que a primeira, apesar desta ter tido um número maior de homicídios. Dessa forma, considerando a população total, cidades como Winnipeg, Calgary e Vancouver, entre outras, apresentam taxas de homicídios maiores do que em Toronto.

Em 2007, houve 594 homicídios em todo o Canadá, tendo a ilha do príncipe, novamente, se destacado com a taxa de homicídios em 0 (o que não significa que não houve nenhum, mas, proporcionalmente, chegou muito perto de 0, tanto que o valor foi arredondado). Todo o país apresentou queda no índice, principalmente British Columbia, que atingiu o menor valor desde 1964. Uma grande melhora! As exceções foram as províncias de New Brunswick, Manitoba e Ontário. A cidade de Quebec não teve um homicídio sequer, fato que tinha acontecido pela última vez em 1981 (não dá para negar que esses franceses sabem administrar uma cidade, né?).

Por outro lado, em relação aos crimes de invasão de propriedade particular (não sei se a tradução está realmente apurada, o termo em inglês é “break and enter”), a província francesa ficou acima da média nacional, enquanto Ontário teve o melhor desempenho de todas. Nos roubos de veículos, a situação se repete, sendo que Ontário teve pouco mais que a metade da média canadense. Esses últimos índices, no entanto, não são surpresa para Alberta, British Columbia e Manitoba, que ficaram muito além da média nacional. Essa última ficando assustadoramente acima.

Por fim, apenas uma curiosidade em relação aos crimes relacionados à drogas. A cada dez crimes, seis estão relacionadas com maconha. Acho que esse também é um dado tranquilizador (Por favor, não misturem as coisas. Sou contra drogas, nunca usei, experimentei ou cheguei perto de alguma.), pois a maconha, infelizmente, é encarada por muita gente como uma droga aceitável, “legal”. Eu não concordo, mas devo confessar que fico aliviada de ver que crimes envolvendo drogas mais pesadas, como cocaína, apresentam índices bem pequenos.

Fora isso, é importante lembrar que, se comparados com os números brasileiros, os índices canadenses são ridiculamente pequenos, mesmo nas cidades consideradas mais violentas. Até porque, por aqui, a polícia contribui muito pra isso (se é que vocês me entendem…).

E por hoje é só, pessoal. O post ficou grande (e deu um trabalho enorme!), mas é um assunto que muito me interessa, além de ser essencial para a pergunta que aflige todos nós: pra onde ir?

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Escrito por K, às 15:54.

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