Folha do Canadá

Saturday, May 2, 2009

Reflexões aéreas

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Pois é, estou voltando. Parece até que vim fugida, de tão rápido que foi. Na verdade, eu já estava semi-preparada para vir há algum tempo. Só que aí apareceu a entrevista. E aí muita coisa mudou.

Quando a entrevista apareceu, eu tinha acabado de me recuperar do último vírus canadense que peguei. No final de semana anterior, fiquei em casa dodói sem poder sair. Nesses momentos você só quer voltar pra sua vidinha, quando as coisas eram mais fáceis e você já sabia o que esperar, além de poder contar com ajuda de marido, mãe, pai,… Então eu estava com muita vontade de voltar, só que o PR Card ainda não tinha chegado. Foi aparecer a entrevista pros cartões chegarem.

Desde que me recuperei, o clima também deu uma melhorada - apesar de ter chovido bastante -, fazendo uns lindos dias ensolarados, ótimos para sair pela rua andando, sozinha ou acompanhada. Com a saúde boa, tudo fica mais fácil de suportar, inclusive a saudade. Apesar de não ter uma rotina estabelecida, as coisas já estavam entrando nos eixos e cada vez eu gostava mais da cidade.

E aí passou a semana que eu mesma tinha me dado de prazo para voltar. Supostamente, a semana em que eu deveria ter recebido uma resposta lá da firma. Não recebi, mas várias pessoas já me disseram que demora mesmo e que, normalmente, levam o dobro do tempo que eles dizem inicialmente para entrar em contato. Teoricamente, eu deveria esperar mais uma semana. Mas aí…

Aí eu meio que cansei de ficar deixando a vida na mão dos outros. Ora bolas, já aguardei o prazo que eles deram - enough is enough. Tem anos que espero, espero e, na verdade, ainda tenho mais um ano de espera pela frente, mas o que estiver nas minhas mãos decidir, vou tomar as rédeas da situação.

Só que eu estava me sentindo tão bem lá, de andar por aquelas ruas, de ver as tulipas - a cada dia apareciam mais -, de descobrir todas as coisas. Já nem sabia mais se queria ir ou ficar. A saudade do marido era enorme, mas já tinha me conformado com ela. Realmente não sabia o que me faria mais feliz, voltar ou não.

Falando em felicidade, dizem que o imigrante jamais será 100% feliz, pois deixou um passado inteiro para trás que, gostando ou não, faz parte da sua formação e é importante pra sua vida. Então não terá mais o acesso à família e aos amigos, sentirá saudade daquela comida, daquele lugar, daquelas saídas. Isso, claro, é compensado, mas não é substituído, pelo mundo novo que foi escolhido. Ao mesmo tempo, se o imigrante volta à origem, passará a ter saudade do que foi a sua vida no outro lugar, das relações que deixou por lá. Não tem mas jeito, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. É o preço que se paga.

E eu me perguntei quão feliz estava. Dava pra dizer que eu estava muito feliz. No entanto, tinha uma sensação estranha de que aquilo não me pertencia. (Calma, povo, não comecem as interpretações de que a K acha que não merece ser feliz, não.) Eu mereço ser feliz, sim, eu e todos nós merecemos. Acredito nisso. Só que a sensação era de que eu estava vivendo a vida de outra pessoa. Ou, talvez, que fosse outra pessoa vivendo a minha vida.

Por quê? Não sei. Pode ser porque eu já sabia que a ida não era definitiva (ainda) e me apegar demais aquilo tudo pudesse significar um sofrimento maior durante a espera que ainda tenho pela frente. Isso até faz sentido, mas acho que foi mesmo a ausência do marido. Parafraseando Vinícius de Morais, os solteiros que me perdoem, mas viver a dois é fundamental. Quando se faz essa escolha, de casar, você tem que se comprometer com a causa.

A sua rotina passa a ser coreografada com a do outro. Não deve ser em função dele, mas, sem dúvida, estarão conectadas. Com o marido em outro país, eu não conseguia estabelecer uma rotina pra mim, o que estava me deixando exausta. Não ter uma rotina pode ser altamente empolgante, para uns mais, para outros menos. Pra mim, confesso que gosto de “todo dia fazer tudo sempre igual”. Estava, literalmente, exaurida pelas atividades diárias e, sem o abraço dele no final do dia, não tinha cama e sono que me descansassem.

Realmente, sem ele lá, ficava faltando um pedaço. Apesar de eu curtir as coisas, não era o mesmo do que curtir com ele. Então o que eu fiz foi fazer a opção de não estragar esse momento. Eu quero curtir toda a felicidade de cada experiência no Canadá e, sem o marido, isso não é possível. Quem vive a dois sabe que é capaz de ter momentos felizes sozinho, mas que momentos plenos e completos só são possíveis com o outro. Se não, não é a vida que você escolheu. Não é você. Sozinha, lá em Toronto, não era eu.

Estou feliz por estar de volta pro meu aconchego, não vejo a hora de ficar deitadinha assistindo DVD, bem agarrada (um programa tão banal e que fez uma falta enorme), porém uma parte de mim ficou lá naquela terra, não tem jeito. Doidera, né? Querer voltar porque não era eu e voltar deixando uma parte de mim! Estar dividida desse jeito tem um  grande significado: já posso me considerar uma imigrante (de carteirinha - PR Card - e tudo!). Isso era exatamente o que eu queria! Minha sorte é que o abraço que vou receber lá no setor de desembarque do Galeão vai mais do que compensar esse pedaço que ficou lá.

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Escrito por K, às 13:33.

Friday, May 1, 2009

De volta pro aconchego

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Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom, poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que vou mergulhar
Na felicidade sem fim

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Escrito por K, às 22:02.

Wednesday, April 29, 2009

Com que roupa eu vou?

Categorias: CWL, Canadá

Quase toda mulher passa por esse dilema quando tem que sair de casa, mas num lugar onde as temperaturas variam tanto como aqui (um dia está sol e fazendo 26º C e no outro está chovendo, fazendo 8º C), a questão da roupa não é simplesmente moda.

Quando está muito frio, e qualquer coisa abaixo de 0º C eu já considero muito frio, eu coloco meia-calça ou calça térmica por baixo da calça normal e coloco uma primeira camada na parte de cima também. Depois coloco a blusa normal e um casaco de cashmere por cima. Se eu estiver corajosa no dia, coloco o sobretudo, o cachecol, mas levo uma outra camada na bolsa. Normalmente eu já saio vestindo mais alguma camada.

Quando está acima de 15º C, coloco só a calça, a blusa, um casaco normal por cima e, talvez, o sobretudo. Mas é sempre importante levar mais alguma coisa na bolsa - por isso que os casacos de cashmere e colete são bons, pequenos e esquentam. Isso porque você  nunca sabe quando o vento estará frio, e venta muito por aqui. Ou quando o tempo vai virar, como aconteceu no último sábado.

Quando está chovendo, tenho três opções. Uma capa de chuva de tecido, uma outra daquelas fininhas e levinhas ou o casaco pra neve. Claro, depende da temperatura e do vento qual das opções vou escolher. O casaco de neve é bom porque, se não estiver muito frio, não precisa de outra camada, pois ele já dá conta.

O grande problema, mesmo, são os dias como hoje, que está 8º C, mas a máxima prevista é de 13º e está sol. Você se prepara pro frio ou pra uma temperatura agradável? Muito difícil. É nesses dias que você vê de tudo na rua, desde meninas com micro short a pessoas encasacadas e com cachecol. Nesses dias o vento também tem papel fundamental. 13º C com sol e sem vento é tranquilo, mas vai andar com uma ventania nessa temperatura!

O que eu tenho feito é lançado mão, de novo, do meu colete e do casaco de cashmere, às vezes de gola alta, pra tentar evitar o cachecol. E por cima, sempre, o sobretudo. Assim dá pra eu ter várias opções de aquecimento sem ficar carregada.

Só uma coisa não dá pra fazer: enfrentar vento e frio. Se fizer isso, é certo que vem um resfriado pela frente. Então, não caia no papo do povo por aqui que parece querer competir quem é mais forte pra enfrentar o frio. Sério, aparentemente, é motivo de orgulho usar pouco casaco e achar que 8º C é quentinho. Se você não acha e se você precisa de casacos, luvas e cachecol, vá em frente, afinal, é você que vai enfrentar as consequências no dia seguinte.

Ah, sim… e não se assuste quando começar a ouvir suas roupas estalando. Dependendo do tecido, estala mesmo e pode dar choque (não exatamente a roupa, mas digamos que você pode ficar mais elétrico). Maravilhas da estática (e mais uma coisa com a qual temos que nos acostumar…)!

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Escrito por K, às 23:31.

Tuesday, April 28, 2009

Um mês de Toronto

Categorias: Uncategorized

Escrevi esse post de manhã, mas algo aconteceu agora a noite que preciso registrar. Estava no terminal quando meu ônibus chegou e a motorista, uma senhora, avisou que ela teria que esperar pela polícia quando chegasse na rua “tal”. Ela disse que, com sorte, a polícia já estaria lá e a viagem não atrasaria muito, mas se não estivesse, nós teríamos que aguardar. Ela só não explicou o que a polícia queria com ela. Quando chegamos na tal rua, um carro de polícia já aguardava no cruzamento. Ela parou o ônibus no ponto e aí que entendemos o que estava acontecendo. Uma senhora, passageira, estaria perdida e a polícia estava lá para levá-la pra casa. Pacientemente, a motorista explicou para a senhora que ela iria pra casa e foi com ela até o carro dos policiais, com quem conversou e explicou tudo. Depois, quando voltou pro ônibus, a motorista explicou que a senhora estava há duas viagens no ônibus e que deveia sofrer de demência. Aparentemente, não conseguiram fazer contato com a família e aí a polícia iria com ela até sua casa para verificar a situação toda. Ai, ai, igualzinho… mas não vamos comparar.

Tem um mês que eu saía do nosso apartamento no Rio sem saber se eu voltaria a estar ali como moradora; tem um mês que, a caminho do aeroporto, fui parada numa blitz, só pra ser lembrada de um dos motivos que me fazia deixar o país; tem um mês que me despedi dos amigos de sempre, dos meus pais e de outras pessoas queridas; tem um mês que meu coração ficou pequenininho, já antecipando esse período sozinha aqui.

E tem um mês que eu não sei o que é sentir medo na rua; que eu posso ir e vir a hora que quiser (limitada apenas pelo horário do transporte público); que eu posso ir ao Starbucks, praticamente, a qualquer momento; que eu não sei o que é ser empurrada pra entrar ou sair do metrô. Enfim, tem um mês que eu vivo num lugar civilizado de verdade.

Nesse tempo, eu:

- Aprendi a sempre ligar a TV no CP24 para saber qual a temperatura e qual a previsão do tempo para o dia;
- Aprendi a valorizar o sol e o calor, mas ainda sem sentir saudade do inferno que é o Rio 40, mas já sei que, aqui, a regra é aproveitar cada minuto de sol e calor ficando na rua.
- Entendi que canadense tem garagem em casa para fazer bagunça, pois todos estacionam na rua (driveway) e, quando as garagens estão abertas, dá pra ver que não caberia um carro lá dentro, de tanta coisa que tem entulhada.
- Confirmei que os canadenses são muito simpáticos e que, invariavelmente, alguém te aborda na rua para fazer comentários dos mais diversos, desde elogiar sua roupa a te oferecer um Tylenol pra sua gripe.
- Conheci uma parte das dezenas de brasileiros que estão por aqui, a maioria com filhos, e confirmei que o Brasil está perdendo gente muito legal, pois todos são super atenciosos, simpáticos e receptivos.
- Vivenciei as maravilhas de ter uma máquina de lavar no estilo “tombamento”, que não enrosca suas roupas todas, e, principalmente, a secadora de roupas. Em duas horas suas roupas estão limpas, secas, macias e, se você esticar assim que tirar da máquina, passadas.
- Comi muita sopa, tanto Campbell, quanto de outras marcas.
- Descobri que o pão de forma daqui é muito mais encorpado do que o daí.
- Vivenciei a experiência de ter passarinhos catando minhocas no jardim da minha rua e, em 15 minutos de ônibus, assistir a um filme em 3D numa tela IMAX. Ou seja, é a banalidade da vida de interior convivendo com a última tecnologia de uma metrópole.
- Fiz o meu currículo no estilo canadense e consegui uma entrevista de emprego mesmo sem ter aplicado pra ela.
- Tirei a carteira de motorista G1.
- Descobri que aqui não tem pão de queijo, mas tem “cheese tea biscuit” no Tim Hortons e croissant de queijo em diversos cafés.
- Descobri que Cinnabon é bom!
- Constatei que cães são bem-vindos no metrô, nos ônibus e shoppings. E não precisa ser pequenininho, não.

From Canada

Foi muita coisa que aconteceu nesse tempo, não dá pra falar de tudo.

Hoje, apesar de a noite não ter sido boa por conta da saudade, acordei sem vontade de ir embora. Cada vez que estou andando pelas ruas daqui, que vejo tudo isso tudo em volta, confirmo minha vontade de vir pra cá. Agora, por exemplo, estou escrevendo esse post no metrô, o que seria totalmente impossível no Rio. Ao que tudo indica, esse plano será adiado por mais um ano, mas pelo menos já deu pra sentir que não é nenhum bicho de sete cabeças vir pra cá, que é totalmente viável.

Provavelmente, vou embora nesse próximo final de semana. Vou com o coração na mão, mas já está na hora de ir encontrar o marido. Ficar longe assim, apesar de ser perfeitamente possível, não é legal, ainda mais num momento em que grandes decisões estão sendo tomadas. Preciso ir atrás de alguma ocupação pra esse próximo ano, já que não é uma boa idéia voltar pro meu trabalho e perder a licença. Vou fazer curso de francês e um curso online de algum college canadense para chegar aqui com um mínimo de educação formal que eles reconheçam. Além disso, acho que vou fazer um curso da UofT de escrita para negócios. Pelo menos vai me dar um certificado para mostrar numa entrevista futura, já que essa foi uma preocupação. Enfim, não dá pra desanimar, tem que manter a cabeça erguida e torcer pros planos, finalmente, se concretizarem ano que vem.

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Escrito por K, às 23:11.

Monday, April 27, 2009

A Saga da Carteira de Motorista: O Retorno

Depois de tentar de todas as formas tirar a carteira de motorista sem a tradução, eu entrei em contato com a Florinda, tradutora juramentada aqui em Toronto, e providenciei o documento. Ela é muito prática e pediu para eu enviar minha carteira scaneada por e-mail. Daí, era só eu passar na casa dela pra buscar, sem precisar esperar. Fiz isso no sábado e hoje de manhã fui lá buscar (ir até a Islington Station e pegar o ônibus 110 South - qualquer um - e descer na Queensway). Como não precisava notarizar a tradução, saí de lá e fui na 777 Bay St fazer a prova (talvez tivesse lugar mais perto, mas eu precisava comprar uma mochila que vi vendendo lá perto).

Ao chegar lá, peguei minha senha, mas me certifiquei de antemão se todos os documentos necessários estavam lá. A mulher logo me pediu a tradução e eu perguntei se teria algum problema por conta do meu nome na carteira de motorista, que é o de solteira. Ela disse que como o meu PR Card estava já com o nome de casada eu não teria problemas. Então, os documentos que eu precisei foram: carta do Consulado (27 dólares), tradução (30 dólares), carteira de motorista original e documento de identificação, o que eu usei foi o PR Card, mas acho que serviria o passaporte.

Mais um chá de cadeira de uma hora e fui chamada. Aliás, essa espera é bem chatinha porque não dá muito pra você se desligar e fazer outra coisa, pois são várias letras e senhas para cada uma delas. A chamada é feita por um visor e apenas um sinal toca. Então, toda vez que o sinal toca você tem que olhar pra saber se em que número está a sua letra.

Fui até o guichê e o rapaz pediu minha documentação. Depois, pediu que eu preenchesse um papel dizendo se eu preciso de óculos para dirigir, se eu já foi diagnosticada com algumas doenças e se eu já tenho experiência anterior como motorista - e onde. Perguntei sobre os óculos, pois, atualmente, tenho menos de 1 grau de miopia. Eu até prefiro dirigir de óculos, mas como não os uso sempre, não queria que constasse na minha carteira que só posso dirigir com a correção. Perguntei pra ele se podia fazer o exame sem os óculos e ver se eu passava. Ele disse que tudo bem.

O “exame” de vista é feito ali no guichê mesmo, em pé. Você olha num aparelho e tem que ler os números que ele coloca. Os primeiros que ele colocou eu mal podia ver que tinha algo escrito e, na segunda sequência, eu errei o último número. Ele disse que estava errado e eu acertei na segunda chance. Depois ele quer saber de que lado você está vendo os flashes. A primeira sequência é bastante nítida, mas a segunda eu confesso que não vi, efetivamente, as luzes, apenas senti de que lado estavam - acho que é pra testar sua visão periférica, sei lá. No final, ele disse pra eu marcar no formulário que não precisava de correção visual e tirou minha foto. Você tem que assinar um papel e colocar seu endereço (não esqueça do zip code). Depois, foi pagar a taxa de 85 dólares (pode usar cartão de crédito), relativa aos procedimentos da carteira e ao teste escrito - ainda tem outra taxa a ser paga depois pelo teste de direção.  Ele me entregou os formulários, o recibo do pagamento e me direcionou para uma sala onde eu faria o teste escrito, que, segundo ele, era fácil, pois bastava usar o bom senso para responder.

Na sala, eu esperava computadores, mas no lugar deles tinham pequenas - e pré-históricas - “televisões” com uma espécie de teclado na frente, apenas com as opções de resposta e botões específicos para o teste. Aguardei um pouco e fui chamada para começar a prova. O pior é que eu nem sabia quantas questões eram e quantas eu tinha que acertar… na verdade, bastava saber que eu tinha que acertar o máximo possível, né?

O teste é meio estranho. Quase toda questão é precedida por um vídeo ou uma imagem. Nem sempre as imagens ajudam. Por exemplo, numa das questões perguntava o que você devia fazer quando se deparasse como uma placa de “pare” e, no vídeo que mostrou antes o carro apenas reduzia a velocidade e seguia. A resposta certa, nesse caso, é parar totalmente o carro e seguir quando for seguro. Ou seja, se você respondesse o que o vídeo mostra, teria errado.

São 40 questões e você só pode errar 4 para passar, ou seja, tem que acertar 90% to teste. Não vou dizer que é difícil, mas também não são apenas questões que o bom senso responde. Por exemplo, na minha prova perguntou o que significa uma luz azul em cima de um veículo. Talvez se tivéssemos crescido no Canadá saberíamos, mas brasileiros não sabem que isso indica uma veículo que tira neve das ruas. Eu estava preocupada com questões que perguntassem quantos pontos correspondem a uma infração específica, mas não caiu nada desse tipo. Não sei se dei sorte ou se não cobram mesmo esse tipo de informação. No final das contas, fiquei feliz por ter lido o guia e por ter dado atenção à parte das placas, pois muitas questões foram sobre isso e, novamente, várias placas não são óbvias.

Durante o teste, quando você acerta uma questão, ele passa para a seguinte e, quando você erra, ele te informa qual era a resposta certa e, então, passa para a seguinte. Então, ao longo da prova você já sabe quantas errou. Ah, sim, acho que não precisa falar, mas como aconteceu com uma menina enquanto eu fazia a prova, vou registrar. Você não pode consultar nenhum material enquanto está fazendo o teste. Uma menina foi procurar a resposta no guia dela e, óbvio, teve o teste zerado e foi convidada a retornar outro dia. Aliás, isso é meio chato, pois fazemos a prova numa sala com várias outras pessoas, inclusive as que ainda estão aguardando. Isso pode distrair bastante, como aconteceu comigo quando a tal menina começou a discutir que não sabia que não podia consultar o livro.

Assim que meu teste acabou, um rapaz me chamou no balcão e me deu minha licença temporária, que é um papel assinado por mim. Acho que a carteira vai chegar pelo correio e a validade é de 5 anos. O teste escrito, que foi o que eu fiz hoje, te dá direito à carteira G1, que foi a que eu peguei. Essa carteira, na prática, é para que os adolescentes - novos motoristas - possam aprender a dirigir. Ou seja, essa carteira permite que você dirija com alguém que tem a carteira G Full (completa) no banco do carona. Você não pode transportar mais pessoas, não pode dirigir sozinho, não pode pegar estrada, enfim, uma série de restrições. Teoricamente, você precisa cumprir um tempo de experiência nessa categoria para poder fazer o teste de direção, mas como eu já tenho experiência no Brasil - e é para comprovar isso que serve a carta do Consulado - posso fazer a prova prática imediatamente.

Para a prova prática vou ter que pagar outra taxa e fazer o agendamento online. Dei uma olhada hoje e só tem data para o final de maio. Então vou entrar em contato com algum instrutor para marcar umas aulas práticas e agendar o teste de acordo com a disponibilidade dele também, já que preciso que ele vá comigo no dia. Isso vai ter que ficar pra junho, que é quando eu tenho certeza que estarei por aqui.

E adivinhem onde eu escrevi esse post?

From Canada

Nesse banquinho aí, que fica no Centennial Park, que fica perto do lugar onde estou morando. Como legítima canadense, quis aproveitar a temperatura acima dos 20 graus e levei meu note pra passear. Pena que o calorzinho ainda não veio pra ficar. Ontem estava menos de 10 graus e amanhã voltaremos a esse patamar, com chuva pra piorar. Mas, tudo bem, uma hora o verão chega. Por enquanto, estamos na primavera.

From Canada
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Escrito por K, às 21:37.

Sunday, April 26, 2009

Vôlei na praia

Categorias: Meu diário

É estranho. Quando estamos na nossa rotina, já começamos a segunda-feira esperando pelo final de semana seguinte. Lá pra quarta, quinta-feira, já começamos a fazer planos, programando uma saída, um cinema, um jantar. Mas aí, de repente, você está sozinha num país. Tem amigos aqui? Sim, tem, mas nem eles, nem você, estão acostumados à rotina de cada um. Enquanto no Rio eu já sabia que em algum momento o pessoal ia lá em casa, aqui eu não faço a menor idéia do que vão fazer. E quem é casado/namorado sabe que os planos são feitos a dois.

Sem rotina e sem marido, meus dias são, teoricamente, iguais. Teve o curso nas duas últimas semanas, mas não esperei pelo final de semana, não fiz planos para ele. É preciso ficar atento porque é nessas horas que a solidão pode bater feio e ficar no lugar onde você mais quis estar nos últimos anos pode virar uma sessão de tortura. Depois das andanças de sexta pra tentar fazer a prova da carteira de motorista, cheguei em casa estupidamente cansada e nem percebi que a noite de sexta-feira passou.

Hoje, ao acordar (e nessas horas o que você quer mesmo é dormir, pois sobra menos tempo pra preencher), já bem tarde, falo com uma amiga e fico sabendo que estão se organizando pra ir a praia jogar vôlei. Pois é. Com os termômetros marcando mais de 20ºC, quem enfrentou o inverno aqui quer mais é saber de sair e ficar na rua até o sol raiar se pôr (raiar é quando o sol nasce!) - o que acontece cada dia mais tarde. Se fosse no Rio, provavelmente eu estaria cheia de preguiça, querendo ficar em casa agarrada com o marido, mas aqui, depois de um mês usando casaco - e sem marido -, eu também me animei pra ir.

From Canada

O dia estava lindo. Céu azul, sol quente e brilhando. E o lago é tão grande que nem dá pra lembrar que é lago, é praia e pronto (com água ainda muito gelada). Nossa rede demorou pra chegar, mas, assim que chegou, nós montamos e jogamos até não dar mais. No colégio, até os 14 anos eu jogava vôlei e adorava. Desde então, acho que nunca mais joguei. Foi muito bom jogar de novo, ver gente, sair. Pena que, com raríssimas exceções, as pessoas (brasileiros) aqui andam em casais e a lembrança que o marido está longe não sai da cabeça. Mas tudo bem, bola pra frente.

Pois bem. De uma hora pra outra, o dia começa a virar noite. Um mar de nuvem negra vem vindo da cidade em direção à praia e, em questão de minutos, todo mundo recolhe suas redes e some. Inclusive o sol. Um vento assustador toma conta do lugar (segundo essa matéria do The Star, chegou a 100km/h) e, minutos depois, um temporal cai. Tão forte que as gotas doíam quando batiam na pele.

From Canada

Corremos pro carro de um dos casais e terminamos nosso dia num restaurante bem interessante - cujo ambiente é muito melhor do que a comida -, o The Old Spaghetti Factory. Depois meus novos amigos, muito simpáticos, me deram carona até a porta de casa. Muito bom passar o dia todo ocupada, me divertindo com pessoas amigas. Que venham mais finais de semana assim. De preferência, com o marido por aqui.

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Escrito por K, às 1:09.

Friday, April 24, 2009

A Saga da Carteira de Motorista

Logo que chegamos aqui todos os brasileiros diziam para irmos logo atrás da carteira de motorista. Um dos motivos da pressa é porque ela aqui funciona como identidade e você não precisa ficar andando com o passaporte. Só que eu não tive muita pressa porque não pretendo ter um carro aqui tão cedo e porque nossa carteira brasileira é válida por três meses depois que chegamos. Com os planos de voltar para o Brasil por um ano, isso passou a ser uma preocupação, pois quando voltarmos ano que vem nossas carteira não serão mais válidas.

O primeiro passo para tirar a carteira em Ontário é ir ao Consulado brasileiro pegar uma certidão, que nada mais é do que uma tradução. Você precisa ir até lá com uma cópia da sua carteira, da identidade (ou passaporte), com uma ordem de pagamento (money order) no valor de 27 dólares canadenses e a página de pesquisa pela sua pontuação, que pode ser retirada no site do Detran de sua cidade. Originalmente, essa declaração era uma que tinha no site do Denatran, mas há meses ele não funciona, então serve a página do Detran estadual mesmo.

Eu fiz tudo errado. Cheguei lá apenas com os originais e a folha impressa da internet. Por sorte, o rapaz que me atendeu foi muito simpático e aceitou o pagamento em dinheiro, além de ter tirado as cópias pra mim. Dois dias depois a declaração ficaria pronta. Hoje fui lá buscar, já preparada para ir direto fazer a prova escrita.

O procedimento normal para ser um motorista completo aqui em Ontário é fazer uma prova escrita, cuja aprovação te dará a carteira G1. Com ela, você só pode dirigir com um motorista experiente no banco do carona e não pode transportar crianças, por exemplo. Como nós já temos experiência como motorista no Brasil (e é para comprovar isso que pegamos a carta com o Consulado), podemos, depois da G1, tirar logo a G Full, que é a carteira completa. Com isso, pulamos o estágio da G2, cuja principal diferença para a G Full é que não se pode consumir álcool quando for dirigir (e dizem que o seguro de carro é mais caro para quem tem G2).

Bom, peguei a certidão no Consulado e lá fui eu pra 77 Bay St tentar fazer a prova escrita (para estudar você pode comprar o guia ou consultar a versão online). Chego lá e o funcionário me informa que preciso da tradução da carteira, além do documento consular. Explico que todas as informações constam no tal documento, mas não adianta. Eu já sabia que isso poderia acontecer e fui a um outro endereço, 534 College St, para tentar lá, pois sabia que alguns lugares não exigiam a tradução.

Ao chegar lá, fui surpreendida com a informação de que não fazem o teste, que eu deveria ir na Bay St mesmo. Explico pro senhor que me atendeu que estavam cobrando a tradução e que eu estava procurando algum lugar que não fizesse essa exigência. Ele pediu pra ver meus documentos e disse que aquilo era suficiente para fazer a solicitação. Ele ficou inconformado e resolveu ligar para o Service Canada e esclarecer a situação. No final das contas, ele passou minha documentação por fax para uma pessoa, que leu e disse que era suficiente, sim, tendo me orientado a voltar na Bay St e procurar o supervisor. O David, o tal senhor que me atendeu, ainda pediu pra a pessoa entrar em contato com o supervisor para avisar que eu estava indo. Saí de lá orientada a procurar a Monica.

De volta na Bay, procuro pela Monica. Espero. Ela vem, pega a documentação, faz umas perguntas e some lá pra dentro. Daqui a pouco ela volta dizendo que preciso da tradução. Eu argumento e lá vai ela de novo. Volta. Precisa da tradução. Eu explico que as informações estão todas lá e que já tinham dito que aquela documentação era suficiente. Ela diz que, se não tem um carimbo do consulado na folha da cópia, ela não tem como garantir que a carta do Consulado é relativa à minha carteira mesmo (apesar de constar o número, meu nome, data de nascimento,…). Enfim, ela deu a entender que eu poderia ter feito a carta do Consulado. Eu digo que isso não é possível, pois tem um selo, uma assinatura e um carimbo do Consulado e que bastava ela comparar as informações. Ela disse que se a carteira não está em inglês ela não tem como fazer isso. Enfim, não adiantou. Sem tradução, nada feito.

Saio de lá e me certifico que no posto de Downsview não exigiam a porcaria da tradução. Tomo coragem e vou pra lá. Pra quem não sabe, Downsview é longe. Pego o metrô até a última estação, pego o ônibus e desço, praticamente, no meio do nada. Entro no lugar, passo pela primeira triagem e pego a senha. 50 minutos depois sou chamada e - surprise, surprise! - informada que preciso da tradução! Perdi umnas três horas com isso, mas, tudo bem, pelo menos vocês que estão lendo aqui já sabem que não adianta ir lá. Providenciem logo a tradução.

E é nessa fase que estou. Mandei a cópia da minha carteira por e-mail para uma tradutora daqui, que cobrou 30 dólares pelo trabalho (lá se vão 57 dólares…). Amanhã ou segunda devo ir lá buscar. Assim que pegar, vou tentar fazer a bendita prova - que deveria ser a parte mais difícil da história toda. Depois, devo fazer umas aulas de direção e agendar o teste prático para, enfim, quem sabe, ser uma motorista “full”.

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Escrito por K, às 23:58.

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