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Thursday, April 23, 2009
“Life is what happens to you while you’re busy making other plans.”
(Vida é aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.)
John Lennon
Esse final de semana eu estive, de novo, doente em casa. Aparentemente, tive a tal da “stomach flu”, que é uma gastroenterite que eu não desejo a ninguém. Não é legal ficar doente e ficar doente sozinha, sem ninguém pra cuidar de você, preparar a comida, lavar a louça, colocar o lixo pra fora e, principalmente, ir até a farmácia comprar o remédio necessário, é infinitamente pior.
Depois da terceira doença em três semanas você começa a se perguntar o que está acontecendo, o que você está fazendo. Junto com isso, o marido aceitou oficialmente a proposta feita pelo chefe dele no Rio para que ele ficasse mais um ano trabalhando. Mas isso vocês ainda não sabiam, então deixa eu rebobinar…
Quando viemos para cá já sabíamos dessa proposta, mas estávamos decididos a manter nosso plano de vir. O marido faria o mestrado que começa em setembro e eu começaria a procurar emprego e faria um college. Mas eis que chegamos aqui e começamos a perceber que a crise existe. Algumas pessoas foram, sim, demitidas e estão, sim, tendo dificuldade em conseguir emprego. Não é o fim do mundo, mas entre vir pra cá num momento desses e aceitar uma proposta que representaria ainda mais segurança pra gente na vinda definitiva, preferimos - para minha tristeza - aceitar a proposta e adiar em mais um ano os planos de imigração.
Como já estava programado, o marido voltou para o Brasil e eu fiquei para aguardar o PR Card e, então, diante dos novos planos, voltar para o Brasil. A única coisa certa é que eu teria que estar aqui em Toronto em junho para fazer o tal curso de orientação vocacional no JVS, mas para isso estávamos dispostos a desembolsar uma passagem a mais, pois não encaramos muito bem toda essa distância que, no momento, existe entre nós.
Recapitulando, eu fiquei doente pela terceira vez e decidi que assim que os cartões chegassem - em algum momento ao longo dessa semana - eu providenciaria a passagem de volta para o próximo final de semana. Não me entendam mal, eu adoro esse lugar, tenho muito o que ver por aqui, mas eu, simplesmente, quero vivenciar todas essas novidades com o marido. Pode ser divertido sozinha? Sim, pode, mas esse era um plano do casal e eu não queria que virasse algo tão solitário.
Voltando… Na última sexta-feira à noite, eu já não estava me sentindo muito bem e acabei ficando em casa. Resolvi colocar a versão atual do meu currículo no Monster e no Workopolis. Na verdade, eu até pensei em aplicar para alguns anúncios para ver o tipo de retorno que eu teria, mas desisti porque decidi que não queria brincar com fogo (vai que aparece uma proposta?!). Então, tudo o que fiz foi atualizar meu cadastro nesses sites e pronto.
Eis que ontem, terça-feira, chego em casa e tenho uma surpresa na minha caixa de e-mail: uma mensagem de uma firma de advogados me convidando para uma entrevista. A primeira coisa que eu penso: “como assim, isso é spam? Mas como um spam sabe que eu gostaria de um emprego justo nessa área?”. A mensagem dizia que a pessoa tinha deixado uma mensagem na minha caixa postal também e eu fui logo checar.
A primeira mensagem era de uma agência de empregos dizendo que eles têm uma oportunidade que corresponde ao meu perfil e eu penso: “ah, tá, era isso, agência… mas parecia ser direto do escritório…”. Salvo a mensagem e ouço a próxima. Essa, sim, é do tal escritório. Ou seja, dois dias úteis depois de colocar o currículo online recebo dois retornos! No mínimo, meu currículo está bem feito.
Respondo ao e-mail - às 8 e meia da noite - e dez minutos depois recebo a resposta dizendo que querem me entrevistar no dia seguinte (que foi ontem). Entrevista marcada, fui me preparar para ela. Li todo o site da firma, fiz anotações… pra falar a verdade, a ansiedade e o nervosismo eram tamanho que mal consegui dormir. Às 3 da manhã ainda estava rolando na cama, depois de ter levantado pra escrever as ideias que apareciam, comer e ler um livro. Em algum momento o sono acabou vindo…
E a entrevista? Bom, depois escrevo em detalhes dando dicas e falando o que aprendi no curso sobre elas. Por ora, digo apenas que foi bem legal. Fui entrevistada pelo administrador e pelo advogado-chefe da firma. Eles foram muito simpáticos, riram e brincaram comigo. No final, me mostraram todos o escritório e me apresentaram a todos os funcionários e advogados (não são muitos). Me senti meio como se fosse o primeiro dia de trabalho! Daria até para dizer que eu tinha sido bem sucedida, mas os canadenses são muito simpáticos e sempre fazem mil elogios a você, então é meio como “eles falam isso para todos”. No final das contas, só esperando mesmo pela resposta para comemorar - ou não.
Independente do que acontecer, o saldo de tudo isso já é muito positivo. Mesmo que eu não seja escolhida para a vaga - e as chances disso acontecer não são pequenas -, já sei que não é loucura tentar esse tipo de posição (legal secretary/law clerk, ou seja, exatamente o que eu fazia no Rio); sei que meu currículo está no caminho certo; tive a primeira experiência com uma entrevista sem estar desesperada pelo emprego (o que ajuda muito para, minimamente, manter a calma). Enfim, foi uma grande surpresa isso tudo e só agora estou me recuperando do susto.
E o que nós vamos fazer? Bom, por enquanto, minha gente, nada mudou, pois tudo o que fiz foi uma entrevista. Se pintar uma oferta de trabalho, vamos pensar direitinho nas nossas opções, comparando os números e tudo o mais. Mas isso é algo que vamos nos preocupar, talvez, semana que vem, quando eu devo receber algum retorno deles. Aliás, essa espera já é angustiante sem ter a pressão de ter que conseguir o emprego, imagino como será quando eu estiver mesmo na busca por uma colocação no mercado.
E agora eu fico em stand by para poder providenciar a passagem de volta, fazendo outros planos… E para quem está no processo, parem de reclamar da demora. Essa é apenas a primeira de muitas que vocês terão pela frente. Esperar o SIN Card, o PR Card, o OHIP, uma entrevista de trabalho, uma resposta, uma oferta,…
 Escrito por K, às 21:15.
Thursday, April 16, 2009
O recém-chegado tem milhares de serviços de suporte para escolher. Desde psicólogos à como usar o número de emergência, você pode aprender muito com eles. Uma das opções para nos ajudar a encontrar emprego é o Skills for Change. É possível fazer curso de inglês básico ou específico para sua área profissional, fazer cursos para certificações, como PMP e CGA, entre diversos outros, gratuitos ou não. O que eu estou fazendo é o CES, que é o Clerical Employment Service. É um workshop gratuito de duas semanas para procurar emprego voltado para funções administrativas, que é por onde pretendo começar.
Hoje foi a primeira aula e vou contar como foi. Primeiro que a turma, segundo o professor, tem tamanho recorde: 22 alunos. Desses, apenas um é homem. Tem várias chinesas, duas colombianas, russa, ucraniana, peruana, iraniana, indiana e não sei mais o quê. O detalhe é que de toda essa gente apenas três, inlcuindo a blogueira que vos escreve, está no país há menos de um ano. Todos os outros estão por aqui há 4, 5 e até 10 anos! Aparentemente, nenhum deles trabalhou no Canadá. Isso é um ponto que não entendo: o que eles estavam fazendo durante todo esse tempo? Trabalhando ilegalmente, vivendo às custas do marido, com auxílio do governo? Não sei.
Uma questão interessante é que na hora das apresentações todo mundo ouvia sem fazer qualquer comentário. Na hora da minha apresentação (e não era eu que falava, outra pessoa - com quem eu já tinha conversado - que me apresentou), minha colega falou: “A Camila é do Brasil…” e a turma fez “oohhh”, “do Rio de Janeiro…”, e a turma “hummm…”, “formada em Direito”, “wow!”, “trabalhava na Promotoria Criminal”, “ooohhh”,… e assim por diante. Não tem nada a ver com as minhas qualificações, foi o simples fato de ser brasileira que fez a turma ficar encantada. Bom saber, né?
Os principais pontos da aula de hoje - que é bom quem ainda não chegou ir se acostumando com a idéia - é que nós precisamos nos vender para a empresa. Quer dizer, precisamos fazer propaganda de nós mesmos para convencer um potencial empregador que você é o que ele está procurando/precisando. E o que o bom vendedor precisa? Além do óbvio (que é se comunicar bem, ter iniciativa, boa apresentação,…), ele precisa conhecer bem o produto, no caso, você mesmo. Ou seja, você precisa conhecer bem as suas qualidades (skills) e, claro, saber relacioná-las com as necessidades da empresa.
O que o professor recomendou é que todo mundo procure um serviço chamado “career exploration”, que nada mais é do que uma orientação vocacional. Alguns lugares oferecem o serviço gratuitamente. Eu já estou inscrita no JVS, mas só consegui vaga para junho (!!!), mas no 211toronto.ca você pode encontrar outros lugares. Dei uma olhada nas opções e fui mais com a cara do JVS mesmo (já recomendado por uma conhecida). Vou ter que esperar minha vez.
O professor indicou o livro “What color is your parachute?”, que trata sobre estratégias para encontrar emprego. Aliás, em geral, as pessoas têm visões muito equivocadas sobre isso. Responda rápido, qual a melhor forma/ferramenta para procurar emprego no Canadá? Internet??? “Pêêêê!!!!!” Resposta errada!
As pesquisas indicam que, quando uma empresa precisa de um novo empregado, ela primeiro tenta preencher a vaga com alguém que já seja seu funcionário, apenas mudando a pessoa de função. A vantagem dessa opção é bem óbvia. Eles já conhecem a pessoa, diminuem muito o risco de não dar certo e não gastam com ferramentas de contratação.
No entanto, nem sempre existe essa possibilidade, então os empregadores buscam aquelas pessoas indicadas por seus funcionários. Já sabem que estou falando do tal “networking”, né? Com uma indicação, as chances de ser um candidato realmente bom para a função são maiores, pois ninguém vai querer queimar seu filme dentro da empresa indicando uma pessoa que trará problemas. Acredita-se que 80% das vagas sejam preenchidas nessas duas possibilidades, pelas indicações ou pelos próprios funcionários. Ou seja, isso nem chega a virar anúncio, o mundo nem fica sabendo da existência dessas vagas.
Quando o empregador não consegue resolver a questão dessas duas formas, sobram duas outras possibilidades: agências de emprego (recruiters) e anúncios. Em princípio, eles ainda preferem as agências, pois, apesar de terem que pagar pelo serviço, têm a vaga preenchida mais rapidamente e, no final das contas, acaba sendo mais barato do que ocupar alguém para analisar as centenas de currículos que chegam para cada anúncio que é feito. Segundo as pesquisas, apenas 20% das vagas são preenchidas dessas duas formas, ou seja, menos do que isso chega, efetivamente, a ser anunciado. Então, o que você vê anunciado na internet é apenas a ponta de um enorme iceberg.
Mas como fazer para ter acesso às vagas escondidas, então? Primeiro, o tal “networking”, que é se fazer conhecer pelo maior número de pessoas possível. Tem que colocar mesmo a boca no mundo, dizer que você está procurando emprego e quais são suas qualificações. Quanto mais gente souber disso, melhor. E outra forma são as famosas “cold callings”, que nada mais é do que ligar pra uma empresa e perguntar se tem alguma vaga. Na cara dura mesmo. Mais efetivo ainda é bater na porta da empresa e pedir pra ser entrevistado. O que você precisa é que a empresa saiba da sua existência. A partir daí, se houver alguma vaga, eles pensarão em você.
O mais importante nisso tudo é estar pronto para a rejeição e não se deixar abater. Se apenas metade das empresas abrir sua porta para você, tudo bem. Vá em frente, pois, aparentemente, esse é o jeito mais efetivo de encontrar emprego. Então, lembre: apenas 10% do seu tempo deve ser ocupado procurando emprego em sites e enviando currículo. Guarde essa dica para quando chegar aqui,
 Escrito por K, às 21:29.
Tuesday, April 14, 2009
O blog não foi abandonado. Na verdade, tenho mil idéias sobre o que escrever, mas daí penso que tenho primeiro que falar de outras coisas para depois falar de um assunto, que tenho que falar o que tenho feito de prático, dar dicas e tal. É tanta coisa que acabo não falando de nada. Então decidi que vou falar fora de ordem mesmo. O que der na telha vou escrevendo e pronto.
Preciso contar um monte de coisas… como meu mundo caiu no sábado, como as pessoas aqui são carinhosas, onde é bom para fazer as primeiras compras, quanto se gasta, o que não pode faltar, como é viver num basement, como é estar sozinha, os diversos programas oferecidos pelo governo, os milhares de “assessment” que temos que fazer, a crise, a neve, o calor, o frio, os meios de transporte,… ih…. tanta coisa! E, no entanto, aqui está o blog abandonado.
Mas deixemos de “churumelas” e vamos colocar a mão na massa…
 Escrito por K, às 23:08.
Tuesday, April 7, 2009
Pois é, povo. A gente casa na saúde e na doença. A gente imigra na saúde e na doença. Desde ontem eu estou dodoizinha, com dor de garganta, moleza e febre. Estar assim não é bom, mas estar assim no frio é ainda mais esquisito. E hoje preciso continuar com os afazeres imigrantes, então vou ter que enfrentar a neve lá fora pra ir numa “information session” de um desses programas pra recém-chegados. Ainda bem que fiquei assim com o marido ainda aqui. Sábado ele vai embora… ai, ai, não quero nem pensar nisso.
Enquanto não tem post, coloquei fotos novas aí do lado e vou passar a colocar aqui embaixo também. São fotos nossas e de coisas que vimos por aqui.
 Escrito por K, às 12:33.
Thursday, April 2, 2009
Depois de arrumar o quarto pra camareira poder entrar, saí para ir ao YMCA, devidamente agasalhada. Dessa vez, resolvi ir de metrô, já que queria poder ir logo pra feira de empregos que estava acontecendo por aqui.
Ao chegar no YMCA fui recepcionada por um imigrante que chegou ao Canadá exatos 5 anos antes da gente, também num domingo. Ele pediu pra eu preencher uma ficha, a fim de me tornar membro da instituição - tudo de graça, claro. Depois, uma menina fez um tour comigo pelas instalações do NIC, que inclui computadores, scanner, impressora e fax. Temos direito a dez cópias por dia. Tem uma pequena biblioteca com informações importantes para o recém-chegado e ela me deu uma série de panfletos com informações diversas. Gostaria que alguém desse uma olhada no meu currículo, mas naquele centro não tem esse tipo de serviço. No entanto, ela me passou uma lista de outros lugares que poderiam me ajudar.
Aproveitei para imprimir a versão que eu tinha do meu resume e fui embora pra tal da feira. Ao chegar lá, levei um tempo e rodei feito barata tonta até encontrar a bilheteria (3,78 a entrada) e a entrada no pavilhão. Tinha uma fila enorme! Fiquei batendo papo pelo celular pra passar o tempo. Ao entrar me senti meio perdida, meio peixe fora d’água. Andei a esmo entre os stands um pouco.
Eventualmente, pedia algumas informações. Dava pra ver pessoas pedindo emprego, deixando seus currículos, mas eu não conseguia nem distinguir se a empresa estava ali atrás de novos funcionários, para fazer propaganda ou para oferecer ajuda! Tinha uma parte em que novos imigrantes poderiam receber alguma orientação e fui pra lá. Depois de ficar uma hora na fila (!!!), fui atendida por um senhor bastante simpático que me deu uma dica: nunca peça emprego. Segundo ele, se você chega para alguém dizendo logo que está procurando emprego, a pessoa fica na defensiva. A melhor estratégia seria falar um pouco de você e fazer uma pergunta. Assim, a pessoa não teria como opção responder que “não” ou que “vai pensar”, mas teria conhecido um pouco sobre você, que é, na verdade, o que você precisa. Se ela tiver uma vaga em que você possa ser aproveitado, ela dirá. Além disso, ele elogiou muitíssimo o meu inglês e perguntou há quanto tempo eu estava no Canadá. Quando respondi que tinha chegado no domingo, ele ficou abismado e quis saber onde eu tinha aprendido a língua, disse que eu tinha menos sotaque do que ele, que está aqui há mais de 20 anos!
Saí dessa conversa um pouco mais animada, criei coragem e me aproximei do stand de uma empresa. Expliquei minha situação pra pessoa e perguntei qual o critério deles para selecionar candidatos, pois eu vou voltar a estudar e gostaria de saber que tipo de curso/college/universidade eles preferem. Ele disse que a empresa dele dá todo o treinamento necessário (é uma corretora de seguros que está atrás de vendedores) e pediu pra ver meu currículo. Só que eu me recusei a mostrar, pois sei que está totalmente fora do padrão. Ele, então, me deu um cartão e pediu pra eu enviar por e-mail assim que pudesse.
Segui para outro stand. Mesma pergunta. A resposta foi que eles privilegiam um curso específico de um college em Hamilton, pois o programa é perfeito para as necessidades deles. Perguntei sobre a reputação dos colleges e ele disse que por aqui não tem isso, o importante é o programa do curso atender às necessidades das empresas e aí depende de onde você procura emprego. Eu expliquei que de onde eu venho isso é bem diferente.
Pronto! Foi o que precisava pra ele ficar todo simpático comigo, saber que eu era brasileira. Primeiro ele estranhou e confirmou a informação. Depois falou português e continuei falando inglês (!!!) - é difícil desligar o “english mode”. Ficou falando que jamais diria que eu era brasileira pelo meu inglês, pois não tenho sotaque nenhum! Mais uma vez, perguntou quando eu tinha chegado e ficou impressionado com a resposta. Também quis saber onde aprendi a língua (Cultura Inglesa, thanks!). Depois a mulher que estava com ele no stand se liberou e ele disse que eu era brasileira. Nossa, ela fez um escândalo, adorou! Daí ele contou sobre o que estávamos conversando, o que eu fazia no Brasil e ela disse que a empresa estava contratando advogados. Eu lembrei que não posso advogar por aqui, mas que seria uma excelente assistente, se eles um dia precisassem. Daí ela disse que estão contratando oito secretárias para o departamento jurídico e que eu seria uma excelente candidata!
Ele pediu meu currículo, mostrei, mas disse que não queria deixar porque sabia que não estava bom. Ele mesmo disse que eu precisava dar uma limpada nele, mas me deu seu cartão pessoal e pediu pra eu entrar em contato enviando o resume assim que pudesse. Legal, né? Agora preciso resolver o currículo!!!
Depois ainda dei uma volta, falei com algumas pessoas, mas vim embora logo, estava cansada de ficar em pé. Voltei pro hotel, esperei o marido e fomos jantar. Até agora, só fomos a excelentes restaurantes por aqui.
Ai, ai, tenho que parar de escrever esses diários, mas é que eu queria registrar essas primeiras providências. Vamos em frente!
 Escrito por K, às 10:45.
Wednesday, April 1, 2009
1o. C
Acordei meio perdida, já que não tinha recebido qualquer orientação de que serviço procurar no primeiro dia. Tinha, claro, uma noção do que precisava fazer, mas não tinha os endereços. Achei um guia dos primeiros dias no site Settlement.org e entendi que precisava ir a um NIC (Newcomers Information Centers). Existem esse centros em vários lugares e decidi que iria NIC do YMCA aqui de Toronto.
Calça térmica (que eu não vou dar bobeira com frio), calça jeans, blusa de linha com manga três quartos, casaco de cashmere (que, apesar de fino e leve, esquenta), sobretudo, meia, tênis, cachecol. Coloco minha mochila nas costas e lá vou eu. Primeira parada: Eaton Centre para comprar mapa.
Compro um mapa plastificado e dobrável, para não precisar ficar pagando mico por aí. Compro um muffin e lá vou eu pra rua de novo. Adivinha o que eu esqueci de vestir? As luvas! Impossível comer muffin com as mãos congelando. Avalio se é melhor voltar pro hotel, mas acho melhor seguir em frente.
O celular, que está na mochila, toca. Eu com as mãos congelando, um muffin na mão, um guardanapo na outra, o mapa embaixo do braço e, pra completar, toda aquela mobilidade normal que se tem quando se veste toda essa roupa. OK. Atende o telefone e você começa a pensar que uma mochila talvez não seja a melhor opção. Você vai morder o muffin e o mapa cai no chão, enquanto você atravessa a rua. Definitivamente, mochila não é uma boa idéia. E preciso de uma bolsa cujo acesso fique na frente, que você abra e feche com facilidade, sem ginástica ou contorcionismo.
Mas você segue em frente. Entra na rua que você pensa que é a certa, caminha até o suposto número. Não é lá. Você pega o seu celular (ainda bem que o muffin já acabou) para confirmar o endereço no site. Por que o seu plano de dados não funciona justamente nessa hora? Resolve tentar o aplicativo de mapas, tudo isso com os dedos congelando, caa vez com menos sensibilidade e coordenação no toque. Nota mental: NUNCA saia sem luvas. Talvez seja uma boa deixar uma luva reserva sempre dentro a bolsa. Se esquecer, terá uma lá.
O marido liga e diz que em uma hora estará livre para fazer algo. Voce avalia sua situação: dedos congelados, sem o endereço do destino, mochila. Decide voltar ao Eaton Centre para comprar uma bolsa tipo carteiro e ir ao hotel confirmar o endereço, além de encontrar o marido. No caminho, inventa desculpas para entrar em algumas lojas e, momentaneamente, descongelar as mãos.
O Eaton Centre e o paraíso! Não só das compras. É tão quentinho… Logo na entrada tem as bolsas da Sears e dois modelos legais da Roots. O valor é meio caro pros seus padrões, mas aí você pensa que não bancar a estabanada na rua não tem preço. Compra e segue pro hotel, sem precisar sair no mundo de novo. Ufa.
Chega ao hotel, arruma a nova bolsa, pega logo as luvas e coloca lá dentro. Senta no computador pra ver o bendito endereço, anota no celular. O marido chega e vocês decidem ir até o Service Canada do City Hall para tirar o SIN Number, que é o “CPF” daqui.
Aparentemente, o lugar não está cheio, mas uma hora depois ainda não tinha chegado nossa vez. Quando finalmente chega, temos contato com a pessoa mais antipática do país até agora. Ela pede pra ver o passaporte e o formulário de confirmação do landing. Você anota o nome de solteira da sua mãe num papel e o nome do seu pai - isso depois que você entende o que ela quer, pois ela fala mais rápido do que sei lá o quê, apesar de saber que inglês não é sua língua nativa e que você está no país há menos de 24 horas. Ela confere essas informações, faz cara feia, pergunta seu endereço e telefone. Quer saber se você é gêmeo ou trigêmeo. Depois repete tudo como se estivesse com uma pressa enorme para se livrar de você e pergunta se as informações estão corretas. O detalhe é que ela não fala os nomes, ela soletra. Agora imagina isso. A mulher soletrando em inglês o seu nome, o nome dos seus pais, o seu endereço, com zip code, seu telefone. Tudo isso em 5 segundos. E aí, tá tudo certo? Você não tem nem tempo de pensar! Você diz que está tudo certo torcendo para que efetivamente esteja (afinal, você está morrendo de medo de dizer que não. Pela cara dela, as chances de ela te comer viva são enormes.). Ela imprime um papel com o seu número e algumas instruções. Pronto, em duas semanas o cartão chega pelo correio. O marido passa pelo mesmo processo e pronto. Somos residentes com SIN number agora!
À essa altura o marido não só perdeu o horário do almoço, como perdeu uma palestra inteira. E eu já desisti de ir ao YMCA naquele dia, mas sei que quando resolver ir terei a enorme facilidade de ter o Google Maps instalado no meu Nokia E61, o que foi feito durante o chá de cadeira na Prefeitura. Resolvo visitar uma amiga que mora em North York.
A região comercial não é lá muito bonita naquela parte da cidade, mas as ruas residenciais são uma graça. Casas enormes e lindas dividem o espaço com casas mais simples. Nenhuma tem muro, pelo menos não na parte da frente. Passo a tarde com minha amiga e vou buscar a filha mais velha na creche. Muito legal! As crianças falam em inglês entre si e, ao verem as mães, passam imperceptivelmente para a língua nativa, voltando para o inglês pra falar com o coleguinha.
Enquanto estamos lanchando, o marido liga pra dizer que acabou a última palestra e que recebeu um e-mail… da Universidade de Toronto… dizendo que ele foi aceito para o mestrado!!! Infelizmente, não tem informação quanto à bolsa. Para isso teremos que esperar a carta oficial chegar, mas o fato de ter sido aceito já é bem legal.
Volto para o hotel com a cabeça a mil pensando o que faremos agora. Brasil ou Canadá? Saímos para um jantar de comemoração e desmaiamos na cama.
 Escrito por K, às 8:57.
Tuesday, March 31, 2009
Antes de embarcamos no teco-teco que, finalmente, nos levaria ao nosso destino final, Toronto, é que ficamos realmente nervosos. Até então era como se fosse qualquer uma das outras tantas viagens que fizemos nos últimos anos. Depois de tomar um latte no Starbucks, resolvi fazer um último xixi, só para garantir que não teria que ir no avião ou antes da imigração quando chegássemos. Minha última ida ao banheiro tinha sido há menos de um hora, mas achei melhor garantir.
Começa o embarque e nós, como “elite members”, entramos na frente. Uns 40 minutos depois ainda estávamos dentro do avião na fila pra decolagem. Foi nesse tempo que a ansiedade, realmente, tomou conta de nós e a vontade de fazer mais xixi passou de zero para desesperadora. Até que ajudou com o meu nervosismo porque até ser autorizada a usar o banheiro do avião, toda minha preocupação era manter todo aquele liquido (de onde saiu???) dentro de mim. Enquanto isso, o marido fazia exercícios de respiração para tentar controlar aqueles mixed feelings que estávamos sentindo no momento.
Eis que o avião decola - em meio a chuva, claro (ou não seríamos nós lá dentro) - e eu posso aliviar toda aquela minha vontade. Tento acalmar o marido dizendo que o pior que pode acontecer é não ser aceitos, o que, verdade seja dita, nos tiraria o grande peso de ter que decidir se nosso futuro está aqui, em terras canadenses, ou aí, em terras brasileiras (O quê?! Você achou que só porque a gente veio estávamos decididos? Tolinho…).
Desce o avião, nós saímos, ainda com chuva, e adivinha onde é minha primeira parada em Toronto? O banheiro do aeroporto! Depois é que começa, verdadeiramente, nosso landing…
Entramos na fila da imigração, depois de termos preenchido o formulário comum a qualquer visitante. Chega a nossa vez, o oficial vê nosso visto de imigrante, corrige uma informação no formulário, faz um risco rosa de ponta a ponta e nos encaminha para outro lugar. Chegamos num grande salão com vários guichês e um enorme espaço para fila, mas, thankfully, nós somos os únicos por lá.
O oficial que nos atendeu aí pediu nossos passaportes, o formulário enviado junto com os vistos pelo consulado no Brasil e o formulado riscado de rosa. Lê tudo, confere as informações de um em outro e pergunta quanto dinheiro estamos portando. Respondemos um valor bem abaixo do obrigatório, mas explicamos que já temos conta no Canadá com nossas economias. Ele pede para ver o comprovante e nós mostramos o extrato, dizendo que ainda temos mais dinheiro no Brasil, mas ele nem quis ver esses outros extratos, dizendo que bastava aquele primeiro.
Ele pergunta se já temos um lugar para ficar e informamos o endereço do basement que alugamos para os primeiros três meses. Ele anota, grampeia o formulário, agora preenchido e assinado, nos nossos passaportes e pergunta se viemos pra ficar ou se pretendemos voltar. Explicamos que o marido ficará apenas por duas semanas, mas depois de um mês voltará definitivamente (ou não). Ele explica que para mantermos o status de residente permanente precisamos viver no país por dois dos próximos cinco anos. E diz: “Welcome to Canada”!
Infelizmente, não fomos tão bem-vindos assim, já que o lugar reservado para instruir os novos imigrantes no aeroporto estava fechado. Ou seja, saímos de lá sem nenhuma informação de quais deveriam ser nossos primeiros passos aqui ou algum livrinho explicando alguma coisa. E eu, econômica que sou, não quis imprimir nenhum desses guias no Brasil porque estava certa que receberia algo assim quando chegassemos.
Pegamos nossas malas e entramos na fila comum da alfândega. O oficial vê nosso formulário marcado pelo anterior e nos encaminha, novamente, pra uma área especial. De novo, não pegamos qualquer fila. A oficial nos recepciona e nós vamos logo dizendo que temos a lista de Goods to Follow - acho que ela nem teria perguntado por ela. Mostramos a lista e ela logo pergunta pelos preços (coloquem os preços dos itens!). Conclusão, isso atrasou um pouco porque tivemos que colocar, na hora, os preços de cada coisa. Enquanto isso, ela conversou conosco sobre o país, nossa opção de imigrar e falou um pouco da vida dela. Muito simpática. Ah, sim, e reclamou que o oficial de imigração deveria ter nos explicado que aquele formulário que pregou em nossos passaportes deve ser guardado para o resto de nossas vidas.
Quando acabamos de preencher, ela somou os valores e nos deu um formulário com o total, o que nos permitirá trazer tudo aquilo para o país sem pagamento de imposto. Ah, sim, façam duas vias da lista. Ela ficou muito satisfeita quando viu que tínhamos uma cópia.
Pronto, acabou. Ela nos mandou seguir por um corredor. Quando chegamos lá vimos que ele dava para uma porta daquelas tipo de emergência e ficamos em dúvida se estávamos no lugar certo. Olhamos para trás e nossa “amiga” estava passando. Ela deve ter percebido nossa cara de perdido e disse: “Go on. Canada is right behind that door”.
And it sure was. Só que nós não tínhamos dólares canadenses e, óbvio, a casa de câmbio estava fechada. Tinha um ATM, mas nosso cartão do HSBC Canada não funcionou - não sabíamos ao certo qual era a senha em meio a tantos PINs que eles nós enviaram. Usamos nosso cartão de crédito brasileiro mesmo para fazer um saque. Pegamos uma limo na saída do aeroporto e viemos para o hotel.
Nesses primeiros dias estamos nada mais, nada menos, do que no Marriot Eaton Centre. Ou seja, temos ligação direta com o shopping e o metrô. Estamos aqui porque, na verdade, o marido veio a trabalho para participar de uma convenção que está acontecendo aqui no hotel.
Depois de nos acomodarmos fomos bater perna no shopping. Em menos de uma hora já tinha feito uma assinatura mensal de um celular da Fido e já estávamos ligando para nossos amigos daqui. Fomos jantar no Red Lobster - muito bom - com o Marcio, passamos na farmácia para comprar band-aids para proteger meus dedos prejudicados pela desidrose e desmaiamos na cama. Não sem antes acompanhar mais uma eliminação do BBB9 pelo site http://www.justin.tv . Ufa!
Bom, o frio lá fora me espera para mais providências nesse terceiro dia de Canadá. À noite tento registrar mais experiências aqui. Agora estou com pressa, nem vou revisar o texto, então, perdoem os erros. See ya!
 Escrito por K, às 10:26.
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